Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A dona de casa Sueli Silva Lima, de 28 anos, e seus três filhos - Sidnei, de 5 anos; Patrícia, de 2; e Luana, de 20 dias - morreram na madrugada de ontem, vítimas de um incêndio que destruiu o barraco em que moravam, na Favela do Cemitério, na região central de Foz do Iguaçu. Os quatro corpos foram sepultados na tarde de ontem, no Cemitério do Jardim São Paulo (região leste da cidade).
Em menos de meia hora, o fogo destruiu totalmente o barraco de madeira de seis metros quadrados, que ficava em uma encosta do Rio Boicy, que corta a cidade.
Os bombeiros chegaram ao local dez minutos depois de acionados por telefone, mas pouco puderam fazer. As duas viaturas e os oito homens só controlaram as chamas depois que os quatro corpos já estavam carbonizados. Para evitar que o fogo se alastrasse, resfriaram os barracos vizinhos.
O resultado da perícia técnica deve sair na manhã de hoje, mas testemunhas disseram que Sueli costumava usar uma lamparina para iluminar a casa, que não é servida com rede elétrica. A Folha apurou que a hipótese mais provável é que lamparina tenha caído sobre um pacote de roupas enquanto Sueli e as crianças dormiam.
Vizinhos disseram que só perceberam o incêndio quando o calor das labaredas fez explodir as telhas de amianto que cobriam o barraco. ‘‘Acordamos com a explosão, quando, infelizmente, não dava para se fazer mais nada’’, disse o garçom Sidnei Aparecido Barbosa, 23 anos, vizinho de Sueli.
Barbosa disse que pouco se sabia sobre o passado de Sueli. Ela morava há três anos na Favela do Cemitério, um conjunto de 200 barracos em terreno íngreme, que forma uma das comunidades mais pobres de Foz do Iguaçu.
‘‘Acho que ela não batia nas crianças, mas bebia muita cachaça e quase não saía do barraco’’, contou outro vizinho, que preferiu não se identificar. Moradores da favela disseram que o barraco recebia visitas constantes de integrantes da Pastoral da Criança, que ajudavam a família com roupas e alimentos.

mockup