Incêndio em casa foi provocado
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quinta-feira, 22 de outubro de 1998
Áureo Nogueira 
O incêndio que destruiu a casa da Rua Benjamin Seibeneich, no Patrimônio Heimtal (zona norte), e que carbonizou o corpo da menina Ketlyn Amanda dos Santos, de quatro anos, foi provocado por ação humana intencional. Foi o que concluiu a perícia do Instituto de Criminalística de Londrina.
O incêndio ocorreu por volta das 16h30 da última segunda-feira. O pai da menina, o serralheiro Adilson dos Santos, estava trabalhando e a mãe, a dona de casa Roseli Aparecida dos Santos, havia saído pouco tempo antes para levar o filho menor, Felipe, de um ano e sete meses, ao Posto de Saúde do Conjunto Maria Cecília (mesma região).
Roseli teria pedido a uma vizinha que olhasse, de vez em quando, os dois filhos - Ketlyn e Maicon, de cinco anos - que ficaram em casa sozinhos.
Maicon conseguiu se salvar porque teria ouvido um barulho fora da casa e saiu para ver o que era. Mas Ketlyn não teve a mesma sorte porque estaria dormindo. Vizinhos tentaram salvar a menina mas não conseguiram entrar na casa, porque as labaredas eram muito fortes e se espalharam rapidamente, destruindo completamente a casa em pouco tempo. O menino ficou bastante abalado com o incêndio.
O laudo pericial foi concluído na manhã de ontem. De acordo com o perito Luciano Bucharles, as análises levaram à conclusão de que o incêndio foi provocado por ação humana. A perícia constatou presença de líquido acelerante de fogo (solvente) derivado de petróleo no lado interno e externo da casa. Com base na verificação das características do incêndio e do material colhido no rescaldo, temos a certeza de que o incêndio foi provocado pela ação humana intencional, assegurou o perito.
O delegado do 5º Distrito Policial, Edson Casagrande, ainda não recebeu o laudo pericial. Mas disse à Folha que os pais de Ketlyn contaram em depoimento que o menino Maicon teria visto uma pessoa benzendo a casa e lançando um papel aceso pela janela. De acordo com o delegado, seria precisamente deste ambiente que o fogo teria começado.
Maicon está muito abalado emocionalmente. Por isso, recomendamos que o menino seja encaminhado a um psicólogo para que possamos verificar as condições emocionais da criança e considerar as declarações, detalhou o delegado. Ele acrescentou que não descarta nenhuma possibilidade para explicar o incêndio. Estamos investigando, mas ainda é cedo para chegar a alguma conclusão.


