O incêndio controlado pelo Corpo de Bombeiros às 18 horas de sábado foi o maior da história do Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. Depois de 24 horas de queimada – o fogo começou às 18 horas de sexta-feira –, foram destruídos mais de 900 hectares de vegetação do parque de preservação ambiental. Essa área representa cerca de 30% do total do parque, que tem 3,2 mil hectares.
Até sexta-feira, o maior incêndio do Parque Vilha Velha tinha ocorrido no dia 21 de novembro de 1999, quando foram queimados 540 hectares. Hoje, por coincidência, a coordenação de Defesa Civil do Estado lança um curso que incentiva a prevenção a incêndios florestais. Todos os anos a Defesa Civil promove ações de prevenção a queimadas. Mas isso não tem sido suficiente para terminar com os sucessivos prejuízos causados pelo fogo ao Parque de Vila Velha.
O chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Ponta Grossa, Cyrus Augustus Moro Daldin, deve apresentar hoje um relatório técnico completo sobre os prejuízos ao meio ambiente causados pela queimada. A andarilha Arcênia Ramirez, que confessou ter iniciado o incêndio no final da tarde de sexta-feira, continua presa na 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa.
O Parque de Vila Velha é um dos mais antigos do Estado. Sua função é preservar a flora e fauna nativas da região e as formações areníticas, que são as principais atrações do local. Do total da reserva, 1,7 mil hectares são abertos para visitação. Nessa área existe monitoramento permanente da Polícia Florestal e de técnicos do parque.
A maioria dos incêndios já registrados aconteceu nos outros 1,5 mil hectares que são proibidos para visitação. Como o público não pode chegar a essa área, também não existe um policiamento constante. Isso dificulta o combate às queimadas. Os dois maiores incêndios do parque, de novembro de 1999 e o de sexta-feira passada, foram na área restrita à visitação.
O objetivo de ter uma parte do parque sem acesso aos turistas é de manter a fauna selvagem protegida. Mas é justamente o oposto que acontece durante as queimadas. Por exemplo, o lobo guará, espécie em extinção que é nativa dos campos gerais do Paraná, acaba sendo uma das maiores vítimas dos incêndios. Sem refúgio, os animais têm que ‘‘fugir’’ para as fazendas da região, onde se transformam em presas fáceis.
Segundo relatório do segundo-tenente Juracir Maucoski, do Corpo de Bombeiros de Ponta Grossa, o incêndio atingiu tanto vegetação rasteira quanto a alta e a capoeira. Além disso, o fogo matou répteis, insetos e pequenos animais. A geada de segunda-feira passada secou a vegetação e colaborou para a propagação das chamas.
No início da noite de sexta-feira agentes da Polícia Florestal prenderam a andarilha Arcênia Ramirez, 30 anos, em flagrante. Ela estava próximo da região em que começou a queimada, restrita à visitação. Arcênia confessou ter feito uma fogueira para se aquecer, com mais dois amigos. Os outros suspeitos não foram encontrados pelos policiais.

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