Um incêndio de causas desconhecidas destruiu, na noite de anteontem, um rancho localizado no Centro Cultural Caingangue (Zona Sul de Londrina). A construção, usada como cozinha pelas famílias indígenas, era feita de madeira com cobertura de sapê e foi completamente consumida pelo fogo. Foi registrado boletim no 4º Distrito Policial. Desde fevereiro deste ano, esse foi o segundo incêndio ocorrido no centro.
Segundo relato dos índios, apenas duas famílias estavam no local no último domingo. Por volta das 19 horas, uma menina da tribo percebeu a fumaça e deu o alarme. O Corpo de Bombeiros chegou minutos depois mas quase nada pôde ser feito. ''Estamos surpresos. É preciso fazer uma investigação séria para apurar o que ou quem provocou o incêndio'', declarou a antropóloga Marlene de Oliveira, coordenadora do Programa de Atendimento ao Caingangue da Secretaria Municipal de Ação Social. Conforme a antropóloga, o cacique Moisés, da reserva de Tamarana, estará hoje no centro para conversar com os índios sobre o assunto.
Marlene destacou que está preocupada com as recentes ocorrências envolvendo comunidades indígenas na região de Londrina. ''Os índios estão passando por uma situação difícil, tanto em Londrina como no resto do Brasil. O fato de ser registrado mais esse caso nos deixa em estado de alerta'', afirmou. No início de fevereiro, um outro incêndio consumiu a cobertura da entrada do centro cultural. Os índios perceberam as chamas e conseguiram salvar móveis e o acervo fotográfico.
Com a destruição, um grupo decidiu preparar um projeto para ampliar e revitalizar o espaço, que foi apresentado à imprensa na última semana. Segundo a antropóloga, o projeto está na fase de discussão com a Prefeitura porque não existe previsão orçamentária para a obra.

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