Incêndio destrói prédio histórico no centro
Incêndio destrói prédio histórico no centro
O fogo começou às 3h30 e destruiu parcialmente o prédio centenário que abrigava a Irmãos Hauer Ferragens
Antigo funcionário,
que morava no prédio,
havia feito sua
mudança horas antes
Eliane Eme Sato
Mauro FrassonRescaldoPela manhã, bombeiros ainda apagavam últimos focos do incêndio, que pode ter sido intencional por causa de uma desavença em famíliaUm incêndio destruiu ontem de madrugada um dos prédios mais antigos de Curitiba, construído em 1888 ao lado da Catedral Basílica Menor e onde funcionou durante mais de um século a Irmãos Hauer Ferragens. O fogo começou por volta das 3h30 e foi controlado duas horas depois por 40 homens do Corpo de Bombeiros em dez viaturas. Não houve vítimas porque o prédio estava vazio. Segundo o tenente Maurício Genero, do Corpo de Bombeiros, o prédio, tombado como Patrimônio Histórico Municipal, teve o segundo andar completamente destruído pelo fogo. Havia risco de desabamento de parte do prédio, disse ele. No primeiro andar, a destruição foi parcial e o térreo não foi atingido pelo fogo.
O Corpo de Bombeiros ainda não sabe o que provocou o incêndio, mas segundo o tenente Genero, o prédio, por ser muito antigo e de madeira, estava com o sistema elétrico comprometido. O fogo, diz o tenente, começou possivelmente pela escadaria, que foi o lugar mais atingido. Não está descartada a possibilidade de o incêndio ter sido intencional.
O prédio é alvo de briga entre a família Hauer e o caso está Justiça. Há pouco mais de um mês, Haroldo Hauer, um dos donos do prédio, entrou com ação de despejo junto à 7ª Vara Cível de Curitiba contra a loja Irmãos Hauer Ferragens, que pertence ao irmão dele, Ralph Hauer. Haroldo conseguiu retirar a loja, alegando que o irmão não paga o aluguel há mais de um ano. Haroldo Hauer não quis comentar a possibilidade de o incêndio ter sido criminoso. É o que eu gostaria de saber, disse. Ele afirmou que não decidiu ainda se fará a restauração do prédio.
Os dois irmãos eram sócios na loja de ferragens, mas o negócio, segundo Haroldo, foi desfeito há quatro anos. Ele conta que é proprietário majoritário do prédio, com mais de 50% dos direitos. Outra parte pertence à empresa Irmãos Hauer Ferragens, de Ralph Hauer. A família é tradicional na cidade, sendos os irmãos netos de Francisco Hauer, que foi um dos primeiros imigrantes alemães em Curitiba.
Com a decisão judicial de despejo, o funcionário da loja, Orlando Romero, 60 anos, que morava no andar superior do prédio, se mudou ontem, retirando seus pertences às 23h30, como conta. Tive muita sorte em não ter meus móveis queimados, dizia ele. A mudança foi feita por cinco homens, contou Romero ao tenente Genero.
Na hora do incêndio, portanto, o prédio estava vazio. Funciona no térreo apenas uma loja de produtos de R$ 1,99, que não foi atingida pelo fogo, sendo o locatário Marcos Antono de Abreu. A loja de ferragens foi transferida para o Largo da Ordem, a apenas uma quadra dali.





