Cambará – Um incêndio de grandes proporções destruiu cerca de 70% do prédio do Colégio Estadual Sílvio Tavares, em Cambará (Norte Pioneiro). De acordo com testemunhas, o fogo começou na noite de quarta-feira em uma das salas do pavimento superior do estabelecimento de ensino, o maior da cidade. As chamas se alastraram com rapidez e consumiram 16 salas de aulas, incluindo os laboratórios de biologia e informática. A diretora Maria Ângela Cegatte informou que o setor administrativo e cerca de 10 salas de aula, que ficam no piso térreo, não foram atingidos.
Por conta da greve dos professores da rede estadual, não havia aula no horário. O caseiro do colégio foi o primeiro a notar o incêndio. Ele estanhou as bruscas quedas de energia e avistou os primeiros focos. Em seguida, avisou a diretora, que mora ao lado do colégio, no centro da cidade. "O fogo se alastrou muito rápido, como as chamas estavam no alto, não tínhamos muito o que fazer a não ser chamar os bombeiros", contou. A base dos Bombeiros Comunitários de Cambará começou a fazer o combate das chamas, mas por conta da grande quantidade de fogo, teve que acionar reforço do Corpo de Bombeiros de Jacarezinho, distante 25 quilômetros.
A fragilidade dos equipamentos dos bombeiros locais e a dificuldade de acesso dos caminhões ao prédio atrapalharam a operação. Quando o reforço chegou, as chamas já tinham tomado todo o pavimento superior. Desesperados, muitos integrantes da comunidade escolar ajudavam como podiam para que as chamas não se alastrassem ainda mais. Caminhões das brigadas de incêndio de usinas da região também auxiliaram o combate ao fogo. O Corpo de Bombeiros calcula que mais de 200 mil litros de água foram usados. A operação de rescaldo só terminou na manhã de ontem. Vários curiosos se aglomeraram nas proximidades. Uma pessoa chegou a ser detida por atrapalhar a ação dos bombeiros.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas. O Instituto de Criminalística de Londrina fez perícias no colégio. A hipótese de um incêndio criminoso motivado por vandalismo não está descartada. Testemunhas disseram à Polícia Militar que viram dois adolescentes saindo do colégio logo após o início das chamas. Já a diretora Maria Ângela acredita se tratar de uma pane elétrica. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso e também aguarda o laudo do Instituto de Criminalística, que deve ser divulgado em 20 dias.
A chefe do Núcleo Regional de Jacarezinho, Sílvia Regina de Souza, que estava no colégio na manhã de ontem, adiantou que deve solicitar uma reforma emergencial do prédio à Secretaria do Estado de Educação (Seed). "É um colégio muito importante, com uma história que não pode ser perdida." Segundo ela, a maior preocupação é definir o remanejamento dos alunos para outras unidades antes do início das aulas, que depende do fim da greve dos professores. "Estamos estudando (usar) salas em prédios estaduais para abrigar os alunos. Em último caso, vamos utilizar prédios municipais."
Além de ser o maior da cidade, com cerca de 1,2 mil alunos, o colégio é também um dos mais antigos. O prédio foi inaugurado em 1940, com o nome de Ginásio de Cambará. Em 1978, ganhou o nome atual, em homenagem ao professor que dirigiu a instituição de ensino por 13 anos.

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