O Centro Cultural Kaingang, localizado no Vale do Ribeirão Cambezinho, às margens da Avenida Dez de Dezembro (Zona Leste de Londrina), foi parcialmente destruído na madrugada de ontem por causa de um incêndio criminoso. Segundo a coordenadora do programa municipal de atendimento ao caingangue, Marlene de Oliveira, o centro já teria sofrido tentativas de furto, mas nunca um ato desta natureza. ''Não roubaram nada, só colocaram fogo'', lamentou. Ela acrescenta que o centro era um espaço de preservação da cultura, onde os índios comercializavam os produtos artesanais.
Geladeiras, móveis, cestas básicas e o acervo fotográfico sobre a cultura caingangue foram salvos graças à agilidade dos índios que, segundo a coordenadora, viram o fogo e correram para tentar apagá-lo. ''Foi muito triste'', lamentou o índio Edson Zacarias, de 25 anos. Ele contou não ter visto ninguém, mas alguns índios disseram que foram três jovens que pareciam estar embriagados. O Corpo de Bombeiros foi acionado e o fogo controlado. As residências habitadas em revezamento pelos índios, na outra margem do ribeirão, não tiveram danos.
A cobertura do Centro Cultural era de sapê, um tipo de capim que, de acordo com o arquiteto Alaertes Karoleske, é altamente inflamável. Ele foi o responsável pelo projeto do Centro Cultural que existe desde 1998. ''Quando foi projetado, tentamos manter uma indentidade arquitetônica, uma característica que lembrasse os indígenas.'' Avaliação feita ontem indicou que toda a parte estrutural da construção ficou comprometida e terá de ser erguida de novo.
O arquiteto ressalta que a identidade poderá ser deixada de lado para priorizar a segurança. Ele e Marlene estudam a possibilidade de substituir a cobertura por cerâmica e cercar o local com um alambrado.

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