Incêndio destrói barracão de reciclagem
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terça-feira, 14 de março de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Não bastassem as agruras que o próprio trabalho impõe, recicladores de Londrina têm sido vítimas de incêndios criminosos que destroem toneladas de material e deixam muito prejuízo. Na madrugada de ontem, o barracão de reciclagem da ONG Missão, no Jardim João Turquino (Zona Oeste), foi quase inteiramente consumido pelo fogo. A mesma ONG havia sido alvo de um princípio de incêndio na última quinta-feira.
O fogo foi descoberto por volta da 1 hora da manhã pelos recicladores, mas, segundo o Corpo de Bombeiros de Londrina, o socorro só foi acionado às 2h30. Os bombeiros encontraram a maior fração do material já destruída, além de parte da estrutura do barracão, feito em concreto e madeira. Segundo o reciclador Antônio Aparecido dos Santos, 30, a ONG perdeu todo o material recolhido nos últimos quatro dias, móveis e dois carrinhos de coleta. Entre os escombros, podiam ser vistos restos de uma geladeira e de uma máquina de lavar.
''É o nosso pão de cada dia que está aí queimado. Não sabemos como vamos fazer para continuar trabalhando sem os carrinhos. Amanhã (hoje), vamos ter que percorrer as ruas com os sacos nas costas'', anteviu Santos. Os recicladores contaram que sete caminhões cheios haviam descarregado material no barracão. De acordo com Santos, dez famílias tiram o sustento da ONG. Ele afirmou que não sabe quem teria ateado fogo no local ontem e na semana passada.
O grupo não é o primeiro do gênero a sofrer esse tipo de atentado. Em setembro do ano passado, os trabalhadores da ONG Resul, localizada no Parque Ouro Branco (Zona Sul), perderam todo o material e parte do imóvel em um incêndio. A natureza criminosa do fato ficou caracterizada com o arrombamento do portão. Santos recebeu a informação de que outros dois barracões teriam sido incendiados nos dois últimos dias, um deles também na Zona Oeste. A notícia não foi confirmada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
O coordenador do programa de Coleta Seletiva da CMTU, José Paulo da Silva, suspeita que tanto no caso da Resul quanto da Missão os crimes teriam sido provocados por atritos internos. ''São comuns reclamações referentes a pagamento entre recicladores, mas como a função da CMTU é apenas técnico-operacional, encaminhamos as queixas para o Cepeve (Conselho das Organizações dos Profissionais de Reciclagem de Londrina)'', afirma.
O tesoureiro da Cepeve, Antônio Jovêncio, preferiu não arriscar um palpite sobre a motivação dos casos de incêndio em barracões de reciclagem. O que ele assegurou é que a entidade não pode ajudar financeiramente as vítimas dos incêndios. ''Somos uma organização sem fins lucrativos, mal conseguimos pagar as despesas com os 5% que tiramos da prensagem dos materiais. As próprias ONGs têm que arrumar uma solução'', ressaltou.
Silva disse que está tentando promover um acordo entre a Missão e outras duas ONGs da Zona Oeste para que possam dividir seus espaços. A reportagem não conseguiu falar com o delegado do 3º Distrito Policial (DP) para comentar o assunto.


