Ana Carolina Sacoman Especial para a Folha
Um incêndio criminoso destruiu completamente, na madrugada de ontem, a casa de três cômodos da cozinheira Santinha Nonato da Silva, 28 anos, na Zona 6, periferia de Maringá. Há oito meses na cidade, a cozinheira já havia recebido uma ameaça. Na madrugada de anteontem, três homens e uma mulher chegaram à sua casa chamando por um desconhecido de nome ‘‘Manuel’’. Ao responder que não havia ninguém com esse nome e que morava sozinha, Santinha recebeu ameaças de morte.
Ontem, por volta das 3h30, as mesmas pessoas voltaram procurando ‘‘Manuel’’. Mais uma vez ela disse que não morava ninguém com o nome na casa. O grupo disse que iria atear fogo no imóvel, se ela não abrisse a porta. Santinha não acreditou, até que um dos homens arrombou a janela da sala e entrou. ‘‘A mulher entrou depois e apontou um revólver pra minha cabeça me ameaçando de morte’’, afirma. Os criminosos gritavam que queriam R$ 8 mil do procurado.
Depois de revirarem a casa e não encontrarem nada, jogaram álcool na cozinheira, levando-a para o banheiro enquanto ateavam fogo na casa. ‘‘Quando saí do banheiro o fogo já estava alto e tinha queimado todo o quarto. Eu ainda estava trancada aqui dentro. Por pouco eu não morro’’, disse Santinha, que escapou pela janela arrombada pelos agressores.
Sem família na cidade, ela não tem outro lugar para ficar. ‘‘Nem sei onde vou dormir’’, afirma. ‘‘Não tenho mais nada, até meus documentos foram queimados, agora só resta recomeçar’’, lamentava. Peritos do Instituto de Criminalística estão investigando a maneira como os criminosos começaram o incêndio. Até ontem de tarde a Polícia Civil não tinha nenhuma pista dos agressores.

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