Paulo Pegoraro
Fogo de origem desconhecida, iniciado ontem por volta das 9h30, destruiu parte considerável da vegetação do Parque Ecológico de Cascavel. A reserva, localizada na área central da cidade, tem 16 hectares. O Corpo de Bombeiros trabalhou até o final da tarde, com apoio de soldados do Exército, utilizando mais de 20 mil litros de água e outras técnicas para apagar o fogo e impedir que faíscas ou chamas se espalhassem para uma mata vizinha, de propriedade do Exército, onde estão depósitos de munição.
Para evitar o alastramento do fogo foram abertos aceiros, com bombeiros e soldados limpando faixas do terreno por onde as chamas poderiam avançar, através da vegetação rasteira. Também tiveram que ser cortadas muitas árvores que estavam com as copas queimando, cujas fagulhas poderiam ser levadas pelo vento para a área do Exército. O tenente-bombeiro Moisés Capriglioni estimou que foram queimados pelo menos 4 mil metros quadrados da reserva, formada por árvores nativas.
No Parque Ecológico estão o único zoológico da região e nascentes que formam o Lago Artificial e o Rio Cascavel, que abastece a cidade. O Corpo de Bombeiros atendeu de uma semana até ontem outros 39 incêndios de campo na região de Cascavel. No final da semana, o fogo destruiu uma área (particular) de 10 mil metros quadrados de pinheirais, nas proximidades da cidade. No domingo, em Santa Lúcia (60 quilômetros ao sul de Cascavel), o trabalhador rural Gelcir Grando, 42 anos, morreu em consequência de queimaduras generalizadas pelo corpo, depois de fazer uma queimada em área rural.
Também na semana passada, 150 hectares de mata nativa alterada foram queimados em São Pedro do Iguaçu (75 quilômetros a oeste de Cascavel), na ‘‘Área dos Quatrocentos’’, uma propriedade de 440 hectares, ocupada por 36 famílias de sem-terra e em processo de desapropriação pelo Incra. Segundo a chefe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) na região, Glória Pozzobom, ‘‘quase com certeza o fogo foi de origem criminosa’’. Em Lindoeste (50 quilômetros ao sul de Cascavel), também estão ocorrendo contínuas queimadas provocadas, em áreas rurais ocupadas por sem-terra.
Não chove há cerca de 50 dias na região, e não há previsão de que isto vá ocorrer nos próximos dias. Ao mesmo tempo, a vegetação foi ‘‘sapecada’’ pelas geadas, o que motiva alerta dos bombeiros e de funcionários de órgãos ambientais para que haja cuidado com qualquer tipo de elemento que possa fazer irromper fogo. As queimadas, se indispensáveis, só podem ser feitas mediante pedido de autorização aos órgãos ambientais, após vistoria no local, e com acompanhamento de técnicos.

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