Curitiba - A cada dia é mais comum acompanhar na mídia casos de abandono de bebês e crianças. Há também situações de infrações que envolvam menores de 18 anos em crimes e que, ao investigar o histórico de cada um, observa-se que muitos foram deixados pelos pais ainda na infância e viveram a maior parte do tempo nas ruas. Segundo dados de 2005, apurados pelo governo, no Paraná existem cerca de 4 mil crianças vivendo em abrigos.
Perante o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o correto é dizer privação do direito de convivência familiar e comunitária. Segundo Aline Fornazari, da secretaria estadual da Criança e Juventude, é necessário dar apoio aos pais para que possam ter condições de ficar com os filhos, porque é um direito deles crescer no ambiente familiar. ''Falta de dinheiro não pode ser motivo, por exemplo, para isso se dá um jeito'', diz.
A retirada do poder familiar só é feita quando não há possibilidade nenhuma de a família ficar com a criança. De acordo com o promotor do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Criança e do Adolescente, Murilo Digiácomo, a destituição do poder familiar ocorre em um prazo de 120 dias. ''É necessário fazer de tudo para conscientizar a mãe e o pai sobre a responsabilidade que eles têm para com os filhos. Se não for feito isso, quantos outros filhos eles terão de novo e abandonarão de novo?''
As crianças em abrigos têm a situação reavaliada de seis em seis meses, e o prazo máximo para permanecerem abrigadas é de dois anos. Esses são alguns dos itens previstos na nova Lei de Adoção, aprovada em 2009. Essa agilidade ocorre porque quanto mais o tempo passa, mais velha a criança fica e menos chance tem de ser adotada.
No Brasil, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos não tem levantamento sobre a população infantojuvenil em situação de abandono familiar, seja nas ruas ou acolhidas em abrigo. A Unicef também reconheceu não haver nenhuma pesquisa nesse sentido.
De acordo com o promotor, está nos planos do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Criança e do Adolescente iniciar uma pesquisa sobre a quantidade dessa população no Paraná. Aline também afirma que há expectativa de um novo levantamento na atual gestão do Estado. O governo federal não apresentou nenhum prazo sobre algum trabalho relacionado ao assunto.
Infraestrutura
Crianças vítimas de maus tratos, de abuso, ou até mesmo retiradas dos pais que não têm condições de educar e manter, como os dependentes químicos, são alguns exemplos das que vivem em abrigos. Na Associação Cristã de Assistência Social (Acridas), dos 32 bebês com idades entre dez dias e dois anos e dos quase 80, de 2 a 18 anos, não fogem à regra.
A Acridas foi criada há 26 anos em Curitiba. Segundo a psicóloga do abrigo, Sandra Moreira Oliveira, os abrigados ficam dos 2 aos 12 anos nas casas com as mães sociais e depois vão para a república. ''Nesse período, eles começam a fazer cursos profissionalizantes e a se preparar para o mercado de trabalho. Quando saem daqui, aos 18 anos, já estão com emprego e, além disso, ajudamos com móveis e com os primeiros gastos.''

mockup