Identificar a relação entre o desenvolvimento da doença e os fatores de risco enfrentados pelas pessoas em seus ambientes de trabalho é o objetivo do projeto-piloto do Instituto Nacional do Câncer (Inca), lançado ontem em Londrina. A cidade foi a primeira do país a receber a debater o programa por causa das pesquisas na área realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde.
''Pretendemos criar um protocolo que ajudará a elaborar ações preventivas para profissionais expostos a fatores que podem levar ao desenvolvimento de algum tipo de câncer'', explicou a professora do Inca, Fátima Sueli Ribeiro, durante o lançamento do protocolo nacional das Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho.
Segundo Fátima, o documento deve ser concluído e lançado até o final do ano. ''Antes disso, vamos realizar debates e congressos em diversos estados brasileiros levantando questões de interesse comum. Começamos por Londrina porque já existe um trabalho sendo realizado aqui'', destacou a professora Helena Garbin.
O trabalho citado é uma pesquisa realizada pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). ''Em 2005, entrevistamos 784 pacientes que deram início a tratamento no Instituto do Câncer de Londrina. Deste total, 296 desenvolveram tipos de câncer que podem estar relacionados às suas rotinas de trabalho'', afirmou a fisioterapeuta do Cerest e coordenadora da pesquisa, Claudete Romaniszen.
Segundo ela, dos 296 casos estudados, 60% dos pacientes sofriam de câncer de pele, 20% tiveram câncer de estômago e 12% apresentaram tumores na laringe e pulmão. ''O câncer de pele pode estar relacionado à exposição frequente ao sol sem a proteção adequada. Já os demais casos podem estar ligados ao contato direto com agrotóxicos, pois os pacientes trabalhavam com agricultura'', analisou Claudete.
Os profissionais de saúde que participaram do lançamento do protocolo aprovaram a iniciativa. ''É importante divulgar quais são os fatores de risco para que os trabalhadores possam se prevenir contra o câncer'', afirmou a
farmacêutica do Instituto do Câncer de Londrina, Joseane Valadão. ''Muitas vezes, a pessoa fica exposta a substâncias nocivas sem ter noção disso. É importante criar estatísticas para a partir delas eliminar os fatores que possam causar o desenvolvimento do câncer'', argumentou Kátia Regina Gomes, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Evangélico.
A secretária municipal de Saúde, Ana Olympia Dornelles, disse que a intenção é desenvolver um trabalho conjunto com vários setores de saúde pública. ''Ao solicitar atendimento nos hospitais ou nas unidades básicas de saúde o paciente com câncer será identificado para verificar se há alguma relação com sua atividade profissional. Se isso ocorrer, os técnicos da Vigilância Sanitária irão visitar esses locais para verificar as condições de trabalho.''

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