Edson MazzettoSolenidadeAo lado de autoridades, o governador Jaime Lerner descerra a placa e inaugura a Ponte de Guaíra: ‘ato histórico’A inauguração da Ponte Airton Senna, a maior entre as fluviais do País, com 3.598 metros, ligando Paraná e Mato Grosso do Sul, através da cidades de Guaíra (PR) e Mundo Novo (MS), reuniu pelo menos vinte mil pessoas, na manhã de ontem, nas cabeceiras do lado paranaense. O ato foi classificado como ‘‘histórico’’ pelo governador Jaime Lerner (PFL), que teve ao seu lado o governador do MS, Wilson Martins (PMDB), e como representante do presidente da República, o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes.
Estiverem presentes a vice-governadora Emilia Belinati, secretários dos dois governos, deputados e senadores. A festa foi toda ‘‘paranaense’’ porque o Estado investiu sozinho os recursos necessários para a complementação do projeto, iniciado em 1985 e depois abandonado pelo governo federal. Originalmente, a ponte serviria para apoio às obras da hidrelétrica de Ilha Grande, projeto igualmente cancelado. O governo do Paraná assumiu as obras em 94, houve uma paralisação de treze meses, mas em 96 elas avançaram definitivamente para a conclusão.
O atual governo investiu R$ 23,8 milhões na conclusão, o que representa 80% do total investido a partir de 94. A estimativa é de que mais de dois mil carros atravessem a ponte diariamente, pagando pedágio de R$ 3,00 (automóveis) a R$ 10,00 (caminhões pesados). Os recursos serão investidos na manutenção e obras complementares. O governador Jaime Lerner foi ovacionado por vinte mil pessoas ao anunciar-lhes que carros com placa de Guaíra ficam isentos do pedágio.
Os moradores da cidade, e todos quantos precisam atravessar o Rio Paraná, ficam livres também do moroso (e caro) serviço de balsas que operava na travessia. Segundo Lerner, a ponte serve, em parte, como ‘‘uma espécie de indenização’’ a Guaíra, pela perda das Sete Quedas - maravilha da Natureza que, em termos de beleza, se assemelhava às Cataratas do Iguaçu -, em 82, encobertas pelo reservatório da hidrelétrica de Itaipu. Para o Paraná, ‘‘é de importância estratégica fundamental’’, porque aumenta a polarização do Estado sobre o Centro-Oeste do Brasil.
O governador do MS, Wilson Martins, chegou a classificar Lerner como ‘‘figura máscula e exponencial’’, pela obra e por outras ações. Segundo Martins, a ponte é ‘‘uma grande obra que o Paraná entrega ao Brasil’’, e permitirá acesso mais fácil da produção agrícola de seu Estado aos centros industriais paranaenses e ao Porto de Paranaguá.
Além de integrar o sistema rodoviário do Paraná, na proposta do Anel de Integração, a ponte permitiu a consolidação da Hidrovia Paraná-Tietê, para o transporte fluvial de cargas entre São Paulo e Paraná. Sob a ponte há um canal de navegação, no qual as formações rochosas do rio que eram mais elevadas foram derrocadas (explodidas com dinamite). O complexo ponte-hidrovia integram o projeto ‘‘Canal do Paranᒒ, com desdobramentos no âmbito do Mercosul e um corredor bioceânico (Atlântico-Pacífico).

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