Rolândia Com as mãos amarradas simbolicamente, um grupo de agricultores e catadores de lixo protestaram durante a inauguração do aterro sanitário de Rolândia, ontem de manhã. A revolta dos agricultores é pela falta de informações sobre o aterro e em relação às normas ambientais que não estariam sendo cumpridas. Os catadores, por sua vez, lamentam sobre a proibição de recolherem o lixo dentro do aterro. Eles aguardam o funcionamento de um barracão no centro da cidade, para poderem separar os materiais que serão recolhidos através da coleta seletiva.
O ambientalista e presidente da ONG Movimento Nossa Terra, Daniel Steidle, informou que, de acordo com o parecer técnico elaborado por um geólogo, o aterro não tem a impermeabilização completa, nem as condições adequadas de monitoramento do lençol freático superficial. Ele explicou que, entre outras melhorias, é necessário a construção de um poço de seis polegadas até o lençol freático superior. Através de amostras de água retiradas desse lençol regularmente seria feito o monitoramento. ''Eles estão inaugurando o aterro sem estar de acordo com o projeto. Isso aqui é uma covardia'', afirmou Steidle.
Os agricultores também se revoltaram pela falta de informações. Eles dizem que querem ser respeitados, esclarecidos e ressarcidos pela perda de qualidade de vida. ''Nós formamos uma minoria que mora perto do lixão, mas exigimos qualidade de vida também'', disse Ruth Steidle.
O prefeito Eurídes Moura explicou que, para operacionalizar o aterro, foram obedecidas as normas dos órgãos responsáveis, que autorizaram o trabalho. Moura disse que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) fez as devidas orientações, vistoriou e liberou para o funcionamento. ''Não estamos fazendo nada a força'', sentenciou. O prefeito lembrou que, quando o aterro foi inaugurado, na gestão passada, estava inacabado, por isso não entrou em atividade. ''Agora está dentro das normas'', garantiu.
Elinton Bembem, técnico de fiscalização do IAP, garantiu que todas as exigências técnicas foram cumpridas pela administração. Ele afirmou que dois poços de monitoramento foram construídos. Em relação à lona de impermeabilização, Bembem disse que não há necessidade de ser colocada. ''O lençol freático está muito abaixo e não tem perigo de ser contaminado'', reforçou.

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