Inadimplentes vão à Justiça e prometem derrubar casas
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terça-feira, 15 de agosto de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
Mutuários inadimplentes de três conjuntos habitacionais de Mandaguari (33 km a leste de Maringá) pretendem entrar com ações na Justiça para impedir os despejos promovidos pela Caixa Econômica Federal. Os moradores prometem também derrubar as casas que forem retomadas pelo agente financeiro.
As ações coletivas serão orientadas pelo Procon municipal, que pretende também pedir na Justiça a suspensão do leilão das casas retomadas, programado para a próxima sexta-feira. Vamos contratar também um perito para mostrar que as casas foram superfaturadas, avisa o coordenador do Procon, Alfredo Ambrósio.
Os três conjuntos Mandaguari 2, Ipacaraí e Paulo Pimentel têm juntos cerca de 900 casas de 27 metros quadrados cada e pelo menos 100 famílias inadimplentes. A intenção da associação dos mutuários é entrar com ações coletivas e individual para cada caso.
São contratos e processos diferentes e vamos propor revisão caso a caso para a Caixa não contestar, explica Ambrósio. Na média, a prestação varia de R$ 65,00 a R$ 70,00 e o tempo de inadimplência da maior parte dos mutuários não chega a dois anos. O problema é que são famílias com renda de até dois salários mínimos e muitos desempregados, revela.
O pedreiro Adir Pereira de Souza, mutuário há três anos, diz que quando comprou os direitos da casa pagava as prestações. Quando parei de pagar, há cerca de um ano, a prestação era de R$ 58,00, agora está em R$ 62,00, conta. Ele recebeu uma notificação da Caixa, mas disse que ainda não teve tempo de ir até a agência. O desempregado Salvador Mendes de Souza, alega que parou de pagar depois de sofrer um acidente. Já paguei multa por atraso e agora não tenho como negociar na vantagem para eles de novo, diz.
O gerente de mercado da Caixa em Maringá, Luiz Henrique Sardi, disse que todos os mutuários inadimplentes serão executados. Não conheço movimento de devedores que pretendem contestar na Justiça, afirmou. Ele conta que apesar de convocados, poucos aparecem para tentar uma negociação com a Caixa e avisa que se as casas retomadas forem derrubadas, o caso será repassado à Polícia Federal. De qualquer forma recuperamos os terrenos, disse.


