Inadimplentes ganham direito à luz elétrica
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Renê Muller<br> Reportagem Local 
Os quatro filhos do pintor autônomo Waldir José dos Santos, 39 anos, estavam pulando de alegria ontem de manhã. Enfim, puderam curtir os desenhos animados da televisão. Desde março, a residência do pintor, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), estava sem energia elétrica. Graças a uma decisão judicial, a luz foi religada pela Copel. Pelo menos outros sete casos estão passando pela Justiça, no município. São ações de indenização por danos morais, exigindo imediata religação do fornecimento de energia.
No caso de Santos, o desemprego e a situação financeira acabaram levando à inadimplência com a estatal. A família precisava da ajuda dos amigos para tudo o que dependesse de energia. Os banhos eram gelados e até a comida tinha que ficar na geladeira do vizinho.
O freezer da vendedora autônoma L.A.L., 32 anos, também precisou ser esvaziado. A luz dela foi cortada no último dia 8. ''Invadiram meu quintal e arrancaram o relógio da energia'', lembrou. A vendedora disse que sentiu vergonha. ''Todo mundo me conhece, e por ter atrasado apenas duas faturas, tive que passar por isso'', reclamou.
De acordo com Carlos Fernandez da Veiga, advogado que defende os consumidores lesados, o direito de todo o contribuinte é ter o fornecimento. ''Se o consumidor não paga as faturas e a Copel tiver que cobrar, que o faça judicialmente'', disse. ''É monopólio. A pessoa não pode comprar energia de outra fornecedora e por isto não tem a quem recorrer''.
O assessor jurídico da Copel, Paulo César de Holanda Guerra, lembra que não se trata de uma decisão definitiva da Justiça e que a empresa tem conseguido derrubar algumas dessas liminares. ''Isso causaria um desequlíbrio econômico e financeiro''. Guerra comentou que há tarifas especiais para famílias carentes e que o desconto pode chegar a 60%.


