O aumento do número de pessoas sem condições de pagar as tarifas de água e luz em Cambé (13 km a oeste de Londrina) está preocupando a Igreja Católica porque os usuários carentes têm procurado a ajuda dos padres. Diante do problema, a Câmara realizou ontem uma audiência pública para o valor das contas e exigir explicações sobre a planilha que define as tarifas das Sanepar. Participaram 12 vereadores, o secretário municipal de Planejamento, Mário Wander Martins Roberto, os padres Gian Mario Pellegrinelli e Antonio Naves, além de lideranças comunitárias. A Sanepar foi representada pelo gerente metropolitano Paulo Kishima, a assessora da presidência Elenice Roginski e o assessor jurídico Tadeu Donizete.
O vereador Osvaldo Candido Neto (PPB) apresentou um comparativo dos valores cobrados pela Sanepar com o de outras três companhias municipais de Ibiporã, Sumaré (SP) e Americana (SP) , cuja diferença é de quase 70%. Em Ibiporã a tarifa mínima (10 metros cúbicos) é de R$ 8,50 já incluída a taxa de coleta de esgoto, que corresponde a 70% do valor da água. Para a Sanepar, esse consumo corresponde a uma conta de R$ 18,45. A coleta de esgoto equivale a 80% do valor da água consumida. Lideranças reclamaram ainda que nos bairros onde a rede de esgoto está sendo instalada a Sanepar não explica que a adesão à coleta implica num aumento de 80% no valor da conta de água.
O padre Gian Mario também garantiu que em seu bairro, cuja população é carente, a informação do valor da coleta de esgoto não foi repassado. ''Eu teria sido o primeiro a me posicionar contrário a esse benefício'', protestou.
A assessora da presidência da Sanepar considerou ''perigosas'' as comparações de preços. Para ela, é preciso avaliar as condições em que as companhias municipais operam e como são obtidos os recursos para a implantação dos serviços. Elenice Roginski disse que a Sanepar não tem como cobrar tarifas menores ''pela qualidade dos serviços prestados''. Ela informou que as famílias com até cinco pessoas e uma renda mensal de até dois salários mínimos podem solicitar a tarifa social, que permite o uso de 10 metros cúbicos com um custo de R$ 3,80 mais 50% de coleta de esgoto.
Paulo Kishima alegou que todas as informações de custo são do conhecimento da população. Segundo ele, em Cambé a rede de esgoto atinge 46% do município, com 100% de tratamento do que é coletado. O gerente da Sanepar disse que a empresa estará verificando as denúncias e as respostas serão dadas numa outra audiência marcada para o dia 11 de dezembro.
O assessor jurídico sugeriu ainda que o município crie um conselho de usuários que permitiria um relacionamento mais próximo com a empresa. Esse conselho está sendo incentivado pela Sanepar e já existe em sete cidades do Estado.

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