Inadimplência em conjuntos cai 70%
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
A inadimplência nas 496 casas dos conjuntos Antilhas e Mundo Novo, em Campo Mourão, caiu em cerca de 70% nos últimos 30 dias. O milagre aconteceu depois de um encontro que reuniu, além de moradores e representantes da Caixa Econômica Federal, o Procon, a Prefeitura, a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Câmara de Vereadores. Renegociamos as dívidas e transferimos o saldo devedor para o final do financiamento, explica a gerente local de Habitação da Caixa Econômica Federal, Terezinha de Oliveira.
O problema da inadimplência nos dois conjuntos ocorria desde que as casas foram entregues, em 1991. São unidades de 27 metros quadrados e com péssimo acabamento, mas que, mesmo assim, tinham prestações consideradas altas. Em alguns casos, elas chegavam a passar de R$ 100,00. Por isso mesmo, a falta de pagamento das mensalidades chegava a 90%. No ano passado, uma proposta da Caixa, em reduzir as prestações para 46% do salário mínimo, não atraiu os mutuários.
A mobilização envolvendo vários órgãos e entidades aconteceu depois que a Caixa ameaçou despejar as famílias inadimplentes. Uma reunião para tratar do assunto chegou a ser realizada no gabinete do prefeito Tauillo Tezelli (PSDB). Desde então, a adesão à proposta da CEF tem sido grande. Segundo Terezinha, dos 496 mutuários, apenas 150 ainda não procuraram a agência para renegociar as dívidas.
TransferênciaA situação começou a ser regularizada depois que a Caixa constatou que a maioria dos moradores não eram mais os mutuários originais. Com isso, foi preciso a transferência dos documentos para os atuais donos. Preparamos toda a documentação necessária para o mutário regularizar as transferências sem que houvesse custos, ressalta Terezinha.
Para ajudar, a Prefeitura também isentou taxas e uma campanha do Cartório do 1º Ofício reduziu o valor cobrado para o registro dos imóveis.
A Caixa também dispensou os juros dos financiamentos em atraso, passando a cobrar apenas a correção monetária. Nos casos de transferência, a agência se propôs a localizar os antigos mutuários. Tivemos que buscar alguns nomes em cadastros do PIS e do Cartório Eleitoral, ressalta Terezinha.
Chegamos a enviar a documentação para outros estados, onde atualmente moram os antigos mutuários. O valor das prestações é o mesmo proposto no ano passado: 46% do salário mínimo (R$ 55,20).


