A dificuldade financeira entre as famílias que sobrevivem da pesca é mais grave no caso de 26 pescadores que, dois meses antes da publicação da portaria proibindo a pesca nos rios do Paraná, assumiram financiamentos junto ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para compra de equipamentos. Sem condições de pagar a dívida, eles estão nos cadastros de inadimplentes e impossibilitados de ter acesso a crédito.
É essa a situação de Eudes de Oliveira. Casado e pai de duas crianças de 5 e 9 anos, ele costumava tirar todo o sustento da família da pesca. Com uma dívida de R$ 6 mil do financiamento para compra de um motor para o barco, tem feito bicos de pedreiro para colocar comida na mesa da famíla. ''As contas de água e luz estão atrasadas, chegaram até a cortar por falta de pagamento. Está difícil sobreviver'', reclama
Aos 64 anos, Adelino Brandetti não conseguiu o financiamento por impedimentos burocráticos, mas hoje comemora a negativa. Vivendo em uma barraca de lona às margens da Capivara, ele não tem tempo de serviço para se aposentar e, por causa da idade, não consegue emprego. Diante das dificuldades para pescar, ele sofre a ameaça constante de ficar sem renda. ''Não tenho onde morar em Jataizinho. Quando vou para lá, fico num cômodo emprestado. Como a gente está pegando muito pouco peixe, preferi ficar aqui para economizar'', conta, mostrando a barraca mobiliada com um fogão e uma cama.
Ex-pedreiro, Donizete Lanieri vive da renda dos peixes há 16 anos, mas cogita retomar a antiga profissão. ''Se minha mulher não trabalha, não pagamos as contas'', diz. O pescador enfrenta diariamente os 13 quilômetros da estrada de terra que dá acesso ao rio movido pela esperança de um bom dia de trabalho. ''Hoje peguei só esses dois peixes'', relata, apontando para o fundo do barco. ''Mas se não arrisco, fico sem comida'', lamenta.
De acordo com o engenheiro de pesca Luiz Eduardo Guimarães de Sá Barreto, da Emater em Cambé, o governo do Estado não tem nenhum projeto para atender a colônia do pescadores de Jataiznho em iniciativas de geração de renda. Na região, o único projeto que envolve pescadores profissionais é o de recria de peixes nativos para soltura em rios, em Sertanópolis.

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