Inadimplênciachega a 57,4%A sindicância aberta pela CEF para apurar irregularidades foi realizada por causa do alto índice de inadimplência dos mutuários em Maringá. No Residencial Sandra Regina, a sindicância apurou que 57,4% dos mutuários não pagavam as prestações em 1993. Atualmente, acredita-se que o índice seja muito maior, atingindo quase a totalidade dos mutuários. Por causa disso, a CEF entrou na Justiça com ação de despejo contra todos os inadimplentes.
As ações de despejo encaminhadas pela CEF revoltaram os mutuários. Eles decidiram formar um grupo (18 mutuários) e entrar com uma ação coletiva contra a Caixa. O advogado do grupo, Paulo Augusto Amaral de Araújo, pretende entrar com uma ação pedindo a rescisão dos contratos e a devolução da quantia já paga com juros e correção.
Segundo Araújo, os mutuários são os mais lesados com as irregularidades. Ele afirma que até mesmo os mutuários que apresentaram documentos falsos foram lesados. Os mutuários teriam sido induzidos por funcionários da CEF a ‘‘comprovar’’ renda superior a verdadeira.
Araújo reclama que a CEF não tem interesse no andamento e desfecho dos inquéritos policiais que tramitam na PF. ‘‘Enquanto os processos estão parados, a CEF entra com ação de despejo contra dezenas de famílias que, de uma hora para a outra, se vêem despojadas de seus lares’’.
Ele também questiona a legalidade dos processos de compra e venda de apartamentos devolvidos à CEF com a ação de despejo. Segundo o advogado, o preço de mercado de um apartamento no Sandra Regina equivale a R$ 20 mil. Entretanto, a CEF toma posse do imóvel e o revende pelo preço de mercado financiado. ‘‘Este sistema é uma forma de enriquecimento condenável’’.

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