O operário Raimundo de Oliveira e a mulher, Maria, não se recordam mais a quanto tempo deixaram de pagar as prestações da casa própria. Também desconhecem qual seria o valor que teriam que desembolsar por mês para pagar o financiamento. O casal diz tem uma justificativa: o que ganham não é suficiente sequer para alimentar os sete filhos e dois netos que abrigam na moradia de 32 metros quadrados.
O drama de Raimundo e Maria é parecido com o de cerca de 30% dos mutuários inadimplentes da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) no Oeste do Paraná. O índice é muito superior à média estadual, de 23%.
A família Oliveira mora no conjunto do bairro Floresta, zona norte de Cascavel, com 1.140 casas. Desse total, 991 ainda não estão quitadas e entre elas, 29% estão com prestações atrasadas há mais de três meses, o que caracteriza a inadimplência. Raimundo, 56 anos, ganha salário mínimo. Maria, 49 anos, recebe R$ 10,00 por dia quando consegue trabalho. A mulher diz que sofre ‘‘da pressão’’ e não consegue comprar o remédio, que custa R$ 30,00.
‘‘Não temos nem colchão pra todo mundo, revezamos pra ver quem dorme. E aí como é que a gente paga prestação?’’, questiona Maria de Oliveira. Ela diz fazer idéia que a prestação da casa deixou de ser paga há cerca de 10 anos. A chefe do escritório regional da Cohapar, Carmen Lúcia Junqueira, informa que as prestações das unidades habitacionais onde os Oliveira moram varie de R$ 5,00 a R$ 20,00.
A inadimplência também é alta em outros conjuntos antigos. Uma das explicações é de que muitos detentores de contratos iniciais teriam vendido as casas para terceiros, sem fazer a transferência. Os compradores evitam procurar a Cohapar para regularizar a situação. A companhia tem rescindido os de contratos que estão em poder de terceiros.
A Cohapar não tem requisitado despejo de inadimplentes. Funcionários visitam as famílias e procuram negociar o pagamento dos atrasados.
Em Guaraniaçu (71 quilômetros a leste de Cascavel), um conjunto com 106 casas, construído em 1983, tem inadimplência de 65%. A situação motivou o prefeito Luiz Moraes de Jesus (PFL) a liderar uma comissão de representantes dos moradores para legalizar a documentação das casas e regularizar as prestações.

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