As vacinas são substâncias que ao serem injetadas no organismo desenvolvem uma reação de defesa semelhante a que ocorreria no caso de uma infecção. Formadas por proteínas, toxinas, vírus ou bactérias atenuados, mortos ou até mesmo por partes deles, as vacinas desencadeiam a produção de anticorpos e tornam o organismo imune às doenças relacionadas pelos agentes.
Apesar de saber que as vacinas protegem contra diversos tipos de doenças, nem todo mundo busca este tipo de recurso na fase adulta, conforme explicou o médico infectologista Arilson Akira Morimoto, de Londrina. ''Cada faixa etária tem suas vacinas especiais, as pessoas acham que só criança deve tomar vacina, mas na verdade existem aquelas imunizações que devem ser reforçadas a cada período determinado'', explicou. Ele lembrou que, em geral, quando ficam grávidas, as mulheres corrigem o calendário de vacinação e a maior parte dos idosos também toma alguns cuidados especiais.
De acordo com o médico, o calendário básico de vacinação para crianças no Brasil é de boa qualidade e pode ser comparado ao serviço prestado em países desenvolvidos. ''Temos cobertura da maior parte das doenças. Foi um calendário bem feito'', afirmou. Morimoto disse que algumas vacinas são oferecidas pelo governo apenas para grupos especiais, como a da gripe, que é direcionada para idosos. Outro exemplo é a vacina pneumocócica, que protege contra a pneumonia e oferece benefícios para alguns pacientes, principalmente os que apresentam problemas pulmonares e cardíacos.
Receio
O medo de tomar vacina não é tão incomum e, segundo Morimoto, deve-se principalmente ao receio das pessoas em relação às reações adversas. ''Qualquer medicamento tem efeitos colaterais, da mesma forma acontece com as vacinas'', explicou. Apesar disso, o infectologista disse que a probabilidade de ocorrer uma reação adversa grave é muito baixa. ''O medo não faz sentido porque a vacina protege contra a doença que é muito mais grave'', afirmou. Ele lembrou que reações consideradas comuns até 24 horas após a aplicação de uma vacina são febre baixa e dores no local.
Conforme o médico, nem todas as pessoas podem tomar todas as vacinas. Os cuidados especiais devem partir das gestantes e das pessoas com HIV, câncer ou que por algum motivo estão imunodeprimidas. ''Estes grupos precisam consultar um médico antes de fazer qualquer imunização'', disse.
De acordo com Morimoto, mesmo os adultos devem avaliar com cuidado se realmente vale a pena se submeter à vacinação. ''Entre os 20 e os 60 anos as pessoas saudáveis geralmente têm uma boa imunidade, portanto a eficácia da vacina é reduzida. Às vezes não vale a pena vacinar uma pessoa assim'', disse.
Ele destacou que as vacinas são indicadas de acordo com a situação que cada pessoa está vivendo. ''É preciso analisar o custo-benefício'', afirmou. O médico lembrou que pessoas que possuem alergia a componentes das vacinas, como o ovo, devem buscar informações sobre cada tipo de imunização antes de fazer a aplicação. Apesar disso, destacou que ''as reações adversas são raras hoje em dia''.
Conforme o médico, algumas vacinas não são oferecidas pela rede pública e a principal delas é a que protege contra o HPV - papilomavírus. Ele disse que esta imunização tem um alto custo por isso não é distribuída para a população, no entanto é recomendada. ''O ideal seria que os meninos e meninas adolescentes tomassem antes do início da vida sexual. Ela protege contra o câncer de colo de útero e verrugas genitais'', explicou. O médico disse que estas são doenças graves, e que a vacina é fundamental para garantir a prevenção.
Tipos
Há diversos tipos de vacinas, entre elas o médico destacou dois grupos principais: as que possuem o vírus vivo mas enfraquecido e as que são feitas com o vírus ou a bactéria morto, ou apenas com alguma parte destes agentes.
Apesar vírus estar vivo no primeiro tipo, ele não tem capacidade de desencadear a doença na grande maioria das pessoas. ''É como se ele tivesse levado uma pancada e estivesse 'baqueado''', definiu. Ele destacou, porém, que apesar de não apresentar risco para pessoas saudáveis, este tipo de vacina não deve ser usada por gestantes e pessoas com imunidade baixa.
De acordo com o médico, as vacinas mais seguras são aquelas feitas com virus ou bactérias mortos, ou com partes destes agentes e que ''a maioria das vacinas disponíves é feita desta maneira''.

Imagem ilustrativa da imagem Imunização em todas as fases da vida