Impunidade aumenta assaltos em ônibus
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domingo, 29 de julho de 2001
Lúcio Flávio MouraDe Londrina 
Até a última sexta-feira foram 219. O transporte coletivo de Londrina vive uma onda de assaltos que quase fez dobrar, na metade de 2001, o número deste tipo de ocorrência em relação a todo o ano passado, quando houve 123 roubos a mão armada nos ônibus da cidade.
Em julho, o número foi recorde: 35 assaltos. Em junho foram 29, em maio foram registradas 23 ocorrências e em abril, 19. Empresas e polícia concordam que o motivo para a escalada estatística está na impunidade dos infratores.
Um oficial do serviço de inteligência da Polícia Militar (que não pode se identificar) denunciou à Folha a omissão de motoristas e cobradores no momento de reconhecer os envolvidos em audiências no Fórum.
Eles fazem o reconhecimento na delegacia onde os suspeitos não podem vê-los, é lavrado o flagrante e depois, em juizo, eles recuam, explicou o oficial. Segundo o denunciante, o fato estaria relacionado às habituais ameaças que os assaltantes fazem após concluirem a ação, geralmente em pequenos grupos de três ou quatro rapazes.
É muito frustrante, temos a certeza de quem foi o responsável pelo delito, mas ele é liberado. As vezes jogamos por terra o trabalho de um mês inteiro, lamentou o oficial. Isto poderia ser resolvido com a realização de audiências em separado. As vítimas ficariam menos expostas e mais a vontade para confirmar ao juiz o que já haviam dito a polícia. Inclusive, sugeri que as empresas solicitem este recurso às varas criminais.
O delegado-chefe Gilson Garret Algauer afirmou que os motoristas e cobradores vêm colaborando com as investigações e disse desconhecer o problema que vem ocorrendo na Justiça. Mas isto está acontecendo acaba se tornando um problema de segurança pública, admitiu.
A assessoria de imprensa Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), detentora da maior frota da cidade com 260 ônibus, informou que o departamento jurídico da empresa desconhece o problema e que o rito das audiências é determinado pela Justiça. Para a TCGL, o grande obstáculo para se punir os ladrões é a participação de menores nos assaltos, quase sempre usados na linha de frente da ação. O prazo máximo para a apreensão de menores é de 45 dias, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Através de palestras, a TCGL instrui seus funcionários a não reagir aos assaltos, única medida, segundo sua assessoria, ao alcance da empresa para proteger a vida de quem está no interior do ônibus. Ainda assim, há casos de motoristas feridos a faca. A TCGL também admitiu que em algumas linhas, como a 314 (Jardim Olímpico) a campeã no ranking dos assaltos, os motoristas e cobradores obedecem a uma escala diferenciada, com grande rotatividade. Além de uma medida de segurança, a rotatividade foi uma imposição da categoria, que estaria assustada com a ação constante dos ladrões.


