IMPUNIDADE - Quem matou estas mulheres?
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sábado, 18 de novembro de 2006
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Essa é a história de seis assassinatos de mulheres registrados em Londrina entre março de 2002 e outubro deste ano que ainda não tiveram um ponto final. Pelo contrário, são casos ainda repletos de interrogações. É como se as vítimas, todas de origem humilde e algumas delas sabidamente garotas de programa, ainda sofressem diariamente as cruéis agressões de seus algozes. Junto com elas, suas famílias também continuam sendo massacradas pela desesperança de viverem à espera de uma punição que, talvez, nunca se realize.
Como explicar para os pais de Patrícia da Silva que o assassino (ou assassinos) que retalhou sua filha ainda viva e extirpou cirurgicamente o útero da adolescente há mais de quatro anos continua solto? Que sequer existe uma suspeita clara sobre quem foi o autor do crime? O criminoso seria o mesmo que a agrediu duas semanas antes do crime? Qual arma usada e qual a razão para a retirada do útero? Tal ato, segundo o médico-chefe do Instituto Médico Legal (IML) à época, Rogério Eiseler, foi feito por alguém com razoáveis conhecimentos de anatomia feminina. Patrícia perdeu tanto sangue que o legista conseguiu coletar apenas 10 ml para exames. A suspeita de que o crime teria participação de um policial e de um ex-funcionário do IML até hoje não foi comprovada.
Entre fevereiro de 2003 e maio de 2004, outras duas mortes chamaram a atenção. Os assassinatos de Elaine e Maria Flávia guardam muitas semelhanças mas isso não ajudou a polícia a desvendá-los. Ambas foram encontradas estranguladas em ruas de um mesmo bairro da Zona Oeste que era praticamente desabitado; aparentemente foram assassinadas em outro local; estavam nuas e com marcas de agressões, inclusive sexuais. Na época, um veículo importado teria sido visto por testemunhas nos arredores das cenas dos crimes. Que carro era este e quem era o condutor? Seria ele o autor dos homicídios? Estaríamos diante de um assassino em série?
Pouco mais de mês depois da morte de Maria Flávia, em junho de 2004, o corpo de Silvana foi encontrado em um pasto de uma chácara às margens da rodovia Carlos João Strass com o pescoço cortado, fratura no maxilar e perfurações na cervical. Porque tanta violência e agressões generalizadas? No início de 2005, em janeiro, a cidade novamente se depararia com um crime deste tipo: Elida foi morta com um tiro na cabeça no Jardim São Francisco (Zona Oeste). O autor seria o mesmo que dirigia o carro no qual ela entrou horas antes na avenida Leste-Oeste, como revelou uma testemunha à FOLHA?
No dia 13 de outubro deste ano, a morte de Jenifer Paixão Esper, 18 anos, completaria a lista macabra. Vítima de inúmeras pauladas na cabeça, seu corpo foi abandonado em um cafezal, numa propriedade marginal à Estrada dos Pioneiros. Até hoje, pouco se progrediu em direção à elucidação do crime.
Diante de tantas dúvidas envolvendo estas seis mortes fica uma última interrogação: estaríamos diante de crimes perfeitos ou todos estes casos seriam reflexo da ineficiência do Estado em assegurar que os criminosos respondam por suas atitudes?


