Impulso de mentir pode ter diversas motivações
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de maio de 1999
Vivian de Albuquerque 
Iludir, afirmar coisas mesmo sabendo que são contrárias à verdade, dar margem a enganos, fraudar ou falsificar. Mentir.
Estudada desde os tempos de Freud, a mentira pode ter origens meramente sociais, como até mesmo seriamente patológicas. De acordo com a psicóloga Désirée Pereira Jorge Bettega, muitas vezes o mentiroso estaria procurando ou se proteger, ou proteger alguém de alguma verdade.O problema maior, explica a psicóloga, é quando as mentiras passam a ser premeditadas, e vendidas naturalmente como se fossem reais.
Segundo Désirée, na maioria das vezes a pessoa, ao desenvolver um papel para iludir os outros, pode acabar se tornando imoral.O que é preciso ver, explica ela, é justamente o porquê daquela mentira. A partir daí, procurar tratamento.
Para a psicanalista Maria Luiza DÁvila Pereira o que é verdade para um pode, perfeitamente, ser uma mentira para outro. A criança, explica a psicanalista, mente como uma fantasia da realidade. Um explicação para alguma coisa que ela não entende. Mas existem pessoas que mentem compulsivamente para mostrar coisas que elas não são ou não têm. Uma espécie de comportamento narcísico, que constrói um mundo irreal.
Outro caso seria ainda o da projeção. O ato de projetar nos outros coisas que não suportamos em nós.Você passa a dizer que o outro é aquilo, ou o que fez aquele outro, tomando um distanciamento do seu próprio desejo, esclarece Maria Luiza.
Para exemplificar, a psicanalista usa o caso do garoto Leandro, divulgado amplamente na tevê e nos jornais. Com o filho desaparecido há vários anos, os pais, esbarraram num outro garoto muito parecido. O menino assumiu durante um bom tempo o papel de Leandro, dizendo se lembrar de como havia se perdido e de detalhes da vida em família.
Quando na verdade, complementa Maria Luíza, ele foi devidamente orientado para assumir aquele papel. As pessoas mesmo passaram todos as informações para que ele pudesse agir daquela maneira. E como era conveniente para ele sair das ruas e ter uma nova família, o menino disse que era o Leandro. Ele não mentiu por mal, mas por necessidade.


