O forte frio da madrugada de ontem foi um verdadeiro tormento para os moradores dos assentamentos João Turquino, na zona oeste, e Santa Fé, na região oeste de Londrina, onde boa parte das famílias mora em barracos de madeira cobertos com plástico. Para se aquecer nas noites de inverno, a família de Rosalina da Silva se ‘‘amontoa’’ para compensar a falta de roupa.
No barraco do assentamento João Turquino são oito pessoas, metade crianças. Eles vieram de Guarapuava há três meses em busca de emprego, mas até agora não conseguiram nada. O sustento da família sai das roupas que Rosalina lava. ‘‘Em breve mudaremos para o Jardim Maracanã. Lá tem mais espaço, mas o telhado ainda será de plástico.’’
Na casa da vizinha Márcia Nogueira a situação não é muito diferente. Grávida de cinco meses, ela, o marido e os dois filhos dormem mais cedo para espantar o frio. Às 9h30 de ontem, a dona-de-casa esperava a roupa da bacia descongelar para poder lavá-la. Nesse horário, a grama que cercava os barracos ainda estava branca com os cristais de gelo desfeitos pelos pés quase descalçados dos moradores.
Nas últimas noites, o alento para a família do desempregado Joaquim Carlos tem sido uma fogueira. Ao contrário dos vizinhos, ele não teme o risco de incêndio ou mesmo prejuízos com a fumaça. Carlos diz que ela ajuda a desobstruir as vias nasais e alivia a respiração. O café quentinho tornou-se indispensável em seu barraco que não consegue abrigar todos os filhos. Ao todo são sete, quatro deles dormem na casa de parentes.
No assentamento Santa Fé, Eva Matias Reis do Sino também faz da fogueira sua fonte de calor. Ela só não fica acesa a noite inteira porque o filho mais velho, de 15 anos, sente falta de ar. ‘‘Por duas vezes ele precisou ser levado ao hospital, passando muito mal’’, complementou a mãe.
O tenente Ezequias de Paula Natal, do Corpo de Bombeiros, tem algumas orientações. Segundo ele, deve-se evitar a queima de carvão e álcool em locais fechados. Isso aumenta a liberação de monóxido de carbono que favorece os problemas respiratórios, podendo causar até a morte. Sem contar o risco de incêndio. Para quem tem aquecedores à gás dentro de casa o conselho é abrir algum canal de ventilação para propiciar a renovação do ar. Em caso de emergências o Corpo de Bombeiros e o Siate atendem pelo telefone 193.
Londrina viveu ontem o dia mais frio do ano, segundo o meteorologista Itamar Adilson Moreira, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Entre as 6 horas e 7h30, o termômetro marcou 0,6 graus negativos. Hoje, a temperatura ficará entre 1 e 15 graus, com previsão de geada na madrugada.

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