A chuva atrapalhou – mas não inviabilizou – o primeiro dia de trabalho dos catadores de lixo da ONG Central na Fazenda Refúgio, em Londrina. Um grupo de 16 pessoas compareceu ao galpão, que ainda estava em condições precárias, e iniciou a separação do lixo às 8 horas.
Apesar das dificuldades, os catadores estavam dispostos a separar todo o lixo que já estava armazenado no galpão. ‘‘Não podemos nos dar o luxo de esperar parar de chover para começarmos a trabalhar’’, disse o catador Joel Vitório. Sem luvas e tambores para colocar o material separado, os catadores improvisaram sacos plásticos para trabalhar.
Ivonete Cipriano, 36 anos, há dois anos e meio trabalhando como catadora de lixo nas ruas de Lodrina, estava entusiasmada. ‘‘Trabalhando aqui teremos mais saúde. Nas ruas tínhamos que trabalhar embaixo de chuva ou então ficar em casa sem ter o que comer’’, afirmou.
Os catadores da região central foram os primeiros a sentir o impacto da diminuição de lixo com a coleta seletiva que está sendo reestruturada no município há mais de dois meses. Dois caminhões passaram a coletar diariamente 12 mil quilos de lixo reciclável. Com isto o rendimento dos catadores que chegava até a R$ 110,00 por semana passou para R$ 30,00 semanais.
‘‘Não dá para saber ainda quanto vamos conseguir ganhar na Fazenda Refúgio’’, disse Joel. Além das condições precárias do galpão na manhã do primeiro dia de trabalho, os catadores reclamaram do lixo hospitalar misturado com o reciclável. ‘‘O pessoal pode se machucar com agulhas, por exemplo. Isto não pode acontecer’’, reclamou Joel.
No final da manhã o presidente da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, esteve no galpão. Segundo ele, hoje o espaço estaria completamente pronto com instalação elétrica, cozinha, banheiro, tambores (bombas de plástico), e seria feita a distribuição de luvas e máscaras para os trabalhadores. A prensa, de acordo com Sella, estará na Fazenda Refúgio na quinta-feira.
A experiência é um projeto piloto de organização dos catadores de lixo que futuramente serão envolvidos no trabalho de transformação do lixo em produtos ecológicos: vassouras, mangueiras, camisetas e outros.
A ONG irá receber subsídio técnico e assessoramento da CMTU apenas no início. O objetivo é fazer com que os trabalhadores amadureçam e procurem seu próprio local para trabalhar, paguem aluguel e tenham um negócio independente.
Nos próximos 15 dias, segundo o presidente da CMTU, não haverá outro espaço para as novas associações que estão se formando. ‘‘Com cada comunidade que estiver se organizando será estudada uma alternativa diferente’’, disse. Na Região Norte os catadores já criaram a ONG Reciclando o Cincão.

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