Improviso, lição que trouxe do rádio
Improviso, lição que trouxe do rádio
Aymoré Cley seguiu o mesmo caminho trilhado por diversos personagens da televisão brasileira, aprendendo no rádio o improviso e o desenvolvimento da criação artística.
Chegou em Londrina no dia 28 de junho de 1945, vindo de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, após ser aprovado em um concurso do Banco do Brasil, onde já trabalhava desde os 14 anos. Atravessou o Sul do País dormindo quatro dias no banco de um trem em pleno inverno. O rio Tubarão, em Santa Catarina, estava congelado, conta.
Logo após chegar à cidade fez testes na Rádio Londrina, inaugurada em 1943 e que até 1946 funcionou na Rua Goiás com um auditório para 120 pessoas. Aymoré, que trabalhou em um serviço de auto-falante no Rio Grande do Sul, era diretor-artístico da rádio e lembra do sucesso na época. Só tinha uma rádio em Londrina e não havia televisão. Era uma alegria o pessoal conhecer os artistas que ouvia no rádio.
A Rádio Londrina creceu e construiu um auditório com 500 lugares, onde hoje funciona o auditório do Hotel Cristal. O Grêmio Literário contratava os artistas para os bailes e já previa uma apresentavação na emissora. Assim, o público privilegiado da época viu de perto Emilinha Borba, Marlene, Carlos Galhardo, Orlando Silva, a orquestra Nacional e Nelson Gonçalves.
Numa ocasião baixou aqui uma orquestra só de mulheres e na véspera da apresentação houve um blecaute de três dias na cidade. A orquestra queria tocar de qualquer jeito e tivemos que arrumar geradores. Muitas pessoas acompanharam a apresentação pelo rádio.
Quando tinha 26 anos, Aymoré casou-se com Ailza, a Iza, que quase todos os dias acompanhava os programas da rádio. Com ela, diz que tem um casamento sólido e cinco filhas: Ana Maria, Maria Helena, Maria Cristina, Carmen Lúcia e Denise.
Entre os programas que apresentou na Rádio Londrina, Aymoré se lembra do Cassino de Atrações e Clube da Raia Miúda. Mas não esconde o fascínio maior pela televisão. Na TV era mais gostoso porque você projeta a voz e a imagem. Tinha mês que eu ganhava e outro empatava, mas foi válido, porque eu fiz o que gostava.
Aymoré Cley lamenta que atualmente as TVs estejam ligadas às redes nacionais sem dar chance aos programas regionais e optando pela comodidade de receber uma programação pronta. Hoje ele quase não ouve rádio. Televisão também vê pouco e gosta de programas humorísticos. Na hora do jantar eu engulo novela, brinca.
Há três semana Aymoré começou a ter aulas de violino no Colégio Mãe de Deus. O curioso é que ele conseguiu comprar o mesmo violino que trouxe do Rio Grande do Sul e depois vendeu a um maestro. O violino modelo Stradivarius foi até Paranavaí e estava arrebentado, brincou. Além dos R$ 800 pela compra, Aymoré gastou mais R$ 400 para reformar o instrumento e também precisou comprar um novo estojo para o violino. (L.R.)





