Improviso foi a arma contra a falta de recursos
No começo os recursos eram escassos no Hospital da Zona Norte e o improviso foi a arma para lidar com essas situações. Uma das pessoas que mais ajudou a enfrentar a falta de mobiliário e equipamentos foi Ademar Gonçalves, de 73 anos. Hoje ele está aposentado, mas durante muitos anos trabalhou no setor de manutenção. Ele recebeu dos colegas o apelido de Professor Pardal, em alusão ao inventivo personagem de quadrinhos. "Eu dominava 90% da tecnologia dos equipamentos. Fiz 11 cursos técnicos para dar conta de tudo, pois não tínhamos material e precisávamos criar ou consertar os equipamentos. Se precisassem de uma mesa para cirurgia pediátrica, eu via um desenho e acabava fazendo igual", revelou.
A evolução do quadro de funcionários ainda hoje impressiona quem viu tudo acontecer nesses 25 anos. A copeira Maria Conceição Mata, de 61 anos, começou a trabalhar no hospital um dia antes de ser inaugurado. "Antigamente éramos apenas 10 copeiras para dar conta de todo o serviço e tínhamos que trabalhar muito", relembrou. Atualmente a equipe é composta por 60 copeiras. Devido a uma cirurgia na coluna, Conceição revelou que agora não pode carregar peso e hoje fica no lactário, cuidando das mamadeiras e das dietas dos pacientes.
Maria de Lourdes Pinheiro, de 69 anos, que trabalhava na cozinha, conta que no início não havia uma nutricionista e era ela quem elaborava o cardápio. "A dieta mudou bastante", salientou.
Benedita Aparecida Monteiro, de 57 anos, trabalha na lavanderia desde a sua inauguração. Ela relembra que desde 2008 uma empresa terceirizada é responsável pela limpeza de cerca de 600 kg de jogos de cama por dia, mas que no início todo o processo de lavagem era realizado ali mesmo. "Lavávamos cerca de 75 kg de roupa por dia. Hoje eu recebo o material e vou separando e dobrando", descreveu.
(V.O.)





