A mulher que não tem osso. A diva de borracha. Senhoras e senhores, o show já começou. Como uma caixa mágica, o II Festival de Arte da Rede Estudantil (Fera) está transformando cinco mil alunos de escolas públicas da região em pequenos notáveis.
Pelo menos nesses dias em que a caravana está em Londrina, recebendo ainda estudantes de Cornélio Procópio, Jacarezinho e Ibaiti, a garotada está sonhando em ser saltimbanco, trapalhão, contorcionista, escritor, enfim... pode até subir num trapézio imaginário e saltar no espaço infinito das artes.
Esse é só um empurrão que o festival criado pelo governo estadual para incentivar a cultura pretende dar nos estudantes e professores do ensino fundamental, já que os docentes também estão aprendendo como levar a arte para dentro da sala de aula.
''Vim conhecer o projeto e vejo que é de grande dimensão. Uma oportunidade dos estudantes mostrarem o seu talento e dos professores estarem com eles para aprender'', afirmou a professora Simone Gonçalves da Silva, da Escola Lúcia Barros Lisboa, do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte), que acompanha 11 alunos no festival.
Os cinco grandes palcos, contando os dois caminhões e as três tendas montadas no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), são pequenos para a vontade de se expressar. A arte toma conta dos corredores dos alojamentos, estacionamentos...
Atendendo ao apelo ''Aqui, o aluno faz o show'', tem gente que está se destacando nas oficinas. ''Estou achando muito importante a participação no festival, que proporciona um aprendizado diferenciado, trazendo mais conhecimento e união com os meus amigos ouvintes.'' A afirmação é do deficiente auditivo André Tiago dos Santos, 19 anos, aluno da 2º ano do ensino fundamental do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL), um dos participantes da oficina Comunicorpo, que pretende despertar o auto-conhecimento corporal, através de exercícios.
Quase não foi preciso a ajuda do intérprete de libras, padre Delci da Conceição Filho, tamanha a alegria do estudante com a atividade, o que revelava a satisfação pela inclusão social. ''Estamos vendo que no processo de inclusão, os nossos alunos surdos não estão tendo dificuldades, se relacionando com os outros jovens. Eles estão dando a contribuição deles à expressão corporal, que é uma realidade dos surdos'', destacou Delci.
Do mundo da expressão corporal ao dos sons são poucos passos, contados pelo ritmo das batidas dos instrumentos musicais.
No caminho até a tenda da oficina de Percussão Artesanal, a Trupe de Artistas Performáticos, da Associação dos Artistas do Paraná (Aspart), dá injeções de arte nos estudantes. Um dia a dose é de música, noutro de teatro...Ontem foi a vez de uma dose extra de circo.
Moradora na Zona Rural de Congonhinhas (55 km ao Sul de Cornélio Procópio), Franciele Fátima da Silva, 13 anos, aluna da 7 série do fundamental, se encantou com as aulas de percussão. ''Gostei muito da oficina. Na minha cidade não tem dessas coisas.'' A menina iluminou o rosto para dizer o que estava achando da oficina. Bem, se com a música a garota já ficou assim, imagine então, a surpresa dela quando topou com a mulher que não tem osso, idealizada pela Trupe de Artistas?

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