Trazido pelos imigrantes japoneses no início do século, o haicai é uma forma poética que valoriza a síntese e a objetividade, cuja essência visa a contemplação do instante. De estrutura aparentemente simples, os pequenos poemas possuem três versos, com cinco sílabas na primeira e última linha e sete sílabas na segunda. Uma de suas vertentes difunde ainda que não há necessidade de rima nem título.
  Considerada uma técnica relativamente nova no País, ainda é distante da realidade da maioria das instituições de ensino. Entretanto, há alguns anos, o haicai tem despertado o interesse de professores, especialmente de português e artes, pois seria o primeiro passo para o contato dos estudantes com a poesia. Além disso, é uma forma de estimular a prática da leitura e o desenvolvimento da escrita.
  Tanto que na última edição do Concurso Brasileiro de Haicai Infanto Juvenil, julgado por membros do Grêmio Haicai Ipê, o Paraná ficou em primeiro lugar no número de alunos inscritos. Ao todo, 2.529 alunos participaram, sendo que 1.129 são do Estado, correspondendo a mais de 46% dos inscritos. Das 32 cidades participantes do concurso, 15 são do Paraná. Os estudantes paranaenses também conquistaram ótimas colocações no concurso, recebendo, inclusive, o primeiro lugar na categoria de 11 a 14 anos.
Cornélio
Procópio
  Com pouco mais de 46 mil habitantes, Cornélio Procópio (Norte) teve três escolas participantes com 137 alunos inscritos. Dois alunos da Escola Municipal Deputado Nilson Baptista Ribas foram classificados na categoria infantil, até dez anos de idade: João Marcos Ribeiro da Costa, oito anos, que ficou em 4º lugar, e Ezequiel Soares de Oliveira, também de oito, que recebeu menção honrosa.
  Para a professora de artes e recreação da escola, Marya Crhystina de Souza, a partir do haicai as crianças começaram a desenvolver principalmente a observação. ‘‘O princípio do poema é a observação da natureza, do cotidiano. Com o aprendizado do haicai, eles aguçam não somente a parte visual, mas também a auditiva e sensitiva’’, resume ela, que faz o trabalho em conjunto com a professora Regiane Báscaro Leal.
  Além disso, Marya destaca que é uma forma de motivar a escrever. ‘‘Como o poema é curto, sem rima, qualquer aluno consegue, tanto aquele que já escreve, quanto aquele que está começando. Com a introdução do haicai no cronograma interdisciplinar, percebemos que eles começaram a melhorar a ortografia e ter mais facilidade para produzir outros tipos de poesia, até mesmo as mais tradicionais.’’
  Trabalhar a técnica com as crianças deu tão certo que a escola se prepara com antecedência para o concurso e introduziu a técnica no calendário pedagógico. A primeira coisa a ser trabalhada é o tema proposto pelo concurso.
  ‘‘Esse ano o tema foi ‘Cores e sons do nosso céu’ e, por isso, tivemos a ideia de passar um vídeo explicativo relacionado a ciências, mostrando os fenômenos da natureza, como o trovão, chuva, arco-íris, as estrelas. E a partir daí, ficaram livres para desenvolver a ideia, sem se preocupar, de início, com a métrica exigida’’, explica.
  Ezequiel, que veio de outra escola e não conhecia o haicai, conta que foi difícil escrever. ‘‘Demorei para ‘imaginar’ o que escrever. Foi quando me lembrei das nuvens e como elas parecem com algodão.’’ Já João Marcos, que participou do concurso no ano passado, diz que dessa vez foi mais fácil. ‘‘Quando a professora falou o tema, o poema já veio na cabeça. Lembrei do sol e do batom da minha mãe.’’
  A escola participa do concurso desde 2004, tendo alunos premiados em quase todos os anos. Além disso, todos os poemas são reunidos em um livro para que os alunos e comunidade tenham acesso na biblioteca da escola.

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