Impresa pára produção por não ter licença ambiental
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terça-feira, 05 de novembro de 2002
Sid Sauer<br>Equipe da Folha 
Campo Mourão - A direção da Algodoeira Limoeirense (Algolim), de Campo Mourão, anunciou ontem que vai suspender a partir de amanhã as atividades da indústria de óleo de caroço de algodão. Com isso, 108 funcionários serão demitidos. A decisão foi tomada porque a indústria, em operação há um ano e quatro meses, ainda não conseguiu a licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
''Sem a licença, poderemos receber novas multas, o que iria inviabilizar definitivamemente as finanças da empresa'', alegou ontem o vice-presidente da Cooperativa Agrícola Mista do Brasil (Coopermibra), que vinha gerenciando a indústria em parceria com a Algolim. A fábrica já havia sido fechada cerca de 10 anos atrás por ordem judicial, devido a problemas ambientais. Este ano a indústria foi multada duas vezes.
As multas totalizaram R$ 80 mil e foram emitidas pelo IAP por poluição do ar com partículas de algodão e por lançamento de óleo no rio Quilômetro 119. Com as punições, a indústria suspendeu um turno de trabalho e dispensou 80 empregados no mês passado. ''As primeiras demissões aconteceram porque as multas pesaram na folha de pagamento'', disse Bognar. ''Agora optamos pelo encerramento das atividade'' - complementou.
No final de agosto o IAP havia indeferido o pedido de licença ambiental porque a indústria fica em área residencial e, mesmo com as medidas de prevenção, o instituto avaliou que a poluição prejudica os moradores vizinhos. A Algolim fica no jardim Lar Paraná, o bairro mais populoso de Campo Mourão. Ao lado da fábrica existe um colégio estadual.
A Coopermibra está contestando as multas. O gerente industrial Sérgio Martins de Oliveira disse que foram investidos mais de R$ 500 mil no ano passado na aquisição de equipamentos de combate à poluição. Segundo ele, também foi firmado um convênio com o Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet) para monitorar a indústria e orientar sobre os cuidados necessários. A promessa da direção retomar as atividades se a indústria conseguir a licença do IAP.


