Parte do imposto de renda devido pelos contribuintes pode ser aplicada em projetos assistenciais realizados em todo o País. Em Londrina, 125 instituições estão aptas a receber os recursos distribuídos por meio do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Uma das entidades é o Instituto Roberto Miranda, o antigo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc). A sede construída no Jardim do Sol, na zona oeste da cidade, atende 150 alunos com deficiência visual com idade entre 4 meses e 81 anos. O instituto funciona há 50 anos e recebe pacientes encaminhados pelo SUS para a realização de tratamentos terapêuticos.
"Aqui eu aprendi a andar sozinha na rua e a fazer as atividades do dia a dia. Agora eu faço e vendo salgados também", comemorou a microempresária Sueli Teixeira, de 57 anos. Aos 18, Sueli sofreu um descolamento de retina quando ainda trabalhava como costureira. "Demorei sete anos para aceitar a minha condição. Uma amiga me indicou o instituto e tive aulas de braile e de mobilidade. Depois passei a trabalhar aqui como merendeira. Agora volto para vender os salgados", contou.
Conforme o diretor pedagógico da instituição, Márcio Rafael da Silva, o local oferece aulas de informática, educação física adaptada, braile e soroban, orientação e mobilidade, além de fisioterapia, hidroterapia e outras atividades. "Entre os nossos projetos para o futuro está a construção de um elevador e de uma quadra poliesportiva", destacou. De acordo com o gestor administrativo da entidade, Lino Augusto Giannecchini, a ajuda da população contribui para a manutenção dos atendimentos. "Em 2011, utilizamos essas doações feitas por meio do imposto de renda ao fundo municipal para pintar o prédio e comprar equipamentos. Nos últimos anos acumulamos R$ 80 mil e vamos elaborar novos projetos para utilizar esse valor", explicou. "Nós temos no Brasil um problema gravíssimo de pessoas que têm medo de fazer uma doação porque os escândalos são muito grandes. Nós temos que quebrar essa barreira. A grande maioria das instituições são coordenadas por pessoas responsáveis que procuram trabalhar dentro da lei", completou o gestor.
O Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente é administrado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, que promove anualmente a Campanha Futuro Criança para arrecadar as doações por meio do imposto de renda. Para ter acesso aos recursos, as entidades assistenciais devem apresentar projetos com a justificativa dos gastos. Os documentos são avaliados pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente. "Se cada pessoa se conscientizasse sobre essa possibilidade de doação, as entidades conseguiriam se manter com mais tranquilidade revertendo os recursos em bens e em ampliações e reformas que podem beneficiar os atendimentos", reforçou a presidente do conselho, Magali Batista de Almeida.
O presidente do Sindicato dos Contabilistas de Londrina (Sincolon), Geraldo Sapateiro, lembrou que quem utiliza a declaração simples para preencher as informações do imposto de renda não pode realizar a doação. "Os recursos só podem ser destinados por quem tem imposto devido e por quem faz a declaração completa. O ideal é que a doação seja feita mesmo que valor seja pequeno. Qualquer quantia pode fazer a diferença", ressaltou. "Os contribuintes podem ajudar entidades de todo o País, mas o ideal seria que os moradores privilegiassem as instituições da cidade onde vivem", defendeu.
Até o dia 30 de dezembro, os contribuintes poderão escolher as entidades para as quais pretendem encaminhar a doação. Entre janeiro e abril de 2016 é possível doar apenas para o fundo municipal, que distribui os recursos. A lista das 125 instituições aptas a receber os recursos está disponível no site da Prefeitura de Londrina (www.londrina.pr.gov.br). É preciso clicar no link "Campanha Futuro Criança". O Sincolon também está à disposição para esclarecer dúvidas dos contribuintes pelo e-mail [email protected].

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