O vice-presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil (Abenepi), Clay Brites, explica que o autismo é um transtorno complexo, com quadro clínico extremamente variado. Por isso, nenhum método pode ser considerado adequado para todos os autistas. Entretanto, o Método Teacch é um dos que apresentam os melhores resultados.
"O Teacch é o melhor método de estruturação da educação hoje. É um método da psicologia comportamental, com toques de psicolinguística. Além disso, é comprovado cientificamente. Entretanto, não é para todas as crianças, já que cada uma tem um nível de sintoma, um nível intelectual e de desenvolvimento da linguagem. ", avalia.
De acordo com o especialista, o método cria uma sinalização visual para a rotina, que é extremamente importante para os autistas, que não conseguem perceber a complexidade das mudanças. "Criar um autista sem rotina é uma opção, mas é mais difícil. O método pode ser feito em casa também. Inclusive deveria ser um objetivo da política pública para os autistas", destaca.
Sobre o método Pecs, o neurologista afirma que é mais direcionado para as crianças que não falam. "Quem apresenta atraso de linguagem tem a área cerebral da fala não ativada. Não é uma questão de estímulo e o método ajuda na comunicação. Os métodos inclusive podem ser combinados. Cada criança é diferente e é um protocolo individualizado para cada criança."
Brites reforça a importância do diagnóstico precoce e que em alguns casos pode ser necessário o uso de medicamentos, inclusive para melhorar a interação com o método. "Os pais de um autista estão sempre em busca de uma esperança, de um caminho que ajude o filho a viver o mais próximo do normal. Esses métodos podem ser caminhos para isso", afirma. (E.G.)

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