A inclusão de alunos especiais, com algum tipo de deficiência, em salas do ensino regular, deve ser precedida de um amplo processo de preparação e sensibilização das crianças. Sejam elas sadias ou não. Além disso, é fundamental que este trabalho seja realizado por profissionais devidamente capacitados.
A opinião é da educadora Silvia Crusiol, diretora geral da escola Vagalume, de Londrina. A escola - que é particular e atende cerca de 200 alunos da pré-escola até a 4ª série - desenvolve desde 1990 um projeto inédito e sistemático de inclusão. Hoje, em todo o estabelecimento, nove alunos portadores de deficiência estudam junto com outras crianças consideradas normais. Além disso, a escola mantém mais duas salas especiais, onde estudam 16 alunos.
Silvia Crusiol lembra que a escola mantém alunos especiais desde a sua inauguração, há 25 anos. Ela destaca que não se deve confundir inclusão com integração. ‘‘A integração sempre aconteceu na escola, nos acampamentos, na hora do lanche, na educação física, nas festas. Esse não é o problema. O problema é a inclusão. O ritmo de cada aluno (especial) é diferente, ele tem necessidade de um atendimento diferenciado’’, explica.
Além de preparar a criança - física e emocionalmente -, para que ela entre numa turma em condições de acompanhar o desenvolvimento das disciplinas, a escola também procura deixar a relação dos alunos considerados normais com os especiais o mais natural possível. ‘‘Aprendizagem é vínculo de afetividade. Esse relacionamento tem que acontecer para que ocorra a aprendizagem’’
Caso não haja esse cuidado na inserção da criança deficiente numa sala convencional, o resultado poderá ser traumático em muitos casos. A falta de afetividade na relação das crianças pode, por exemplo, desenvolver um bloqueio emocional, o que comprometeria o desenvolvimento em sala de aula. A educadora observa também que muitas dessas crianças necessitam de acompanhamento psicológico próximo, o que nem todas as escolas podem fornecer.
Apesar das observações, Silvia Crusiol considera irreversível o processo de inclusão das crianças portadoras de deficiência não só na escola como também na sociedade. Por isso, aponta, a disposição da nova LDB é importante. ‘‘Mas é preciso haver um preparo. Não dá para dizer que no ano que vem estará todo mundo incluso. É preciso respeitar o processo.
Uma das alunas da escola que está incluída no novo sistema é Susane Hasuda, 9 anos de idade e aluna da 3ª série. Susane teve paralisia cerebral e hoje, além de não falar, tem muita dificuldade para coordenar os movimentos do corpo. Não houve, no entanto, comprometimento intelectual, e por isso, apesar das dificuldades físicas e de comunicação, ela tem acompanhado os colegas nas disciplinas.
Um dos meios utilizados para Susane nas aulas - e também fora delas - é a ‘‘pasta de comunicação alternativa’’, um instrumento com diversos símbolos gráficos, além de fotos, que traduzem todo o vocabulário que ela precisa para se comunicar. Quando quer dizer alguma coisa, ela aponta os símbolos correspondentes com o dedo. Um computador especial também começou a ser utilizado pela garota.
O desenvolvimento de Susane, segundo Silvia Crusiol, é um exemplo de como pode ocorrer esse processo de integração com inclusão na sala de aula. Hoje ela tem ótimo relacionamento com os colegas, brinca e até começou a estudar música. ‘‘Quando é feito um trabalho como esse, não há rejeição’’, diz. ‘‘E a gente tem sentido que eles têm mesmo condições. Desde que sejam respeitados.

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