Implantação exige preparo da escola e das crianças
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segunda-feira, 17 de agosto de 1998
Lúcio Horta 
A inclusão de alunos especiais, com algum tipo de deficiência, em salas do ensino regular, deve ser precedida de um amplo processo de preparação e sensibilização das crianças. Sejam elas sadias ou não. Além disso, é fundamental que este trabalho seja realizado por profissionais devidamente capacitados.
A opinião é da educadora Silvia Crusiol, diretora geral da escola Vagalume, de Londrina. A escola - que é particular e atende cerca de 200 alunos da pré-escola até a 4ª série - desenvolve desde 1990 um projeto inédito e sistemático de inclusão. Hoje, em todo o estabelecimento, nove alunos portadores de deficiência estudam junto com outras crianças consideradas normais. Além disso, a escola mantém mais duas salas especiais, onde estudam 16 alunos.
Silvia Crusiol lembra que a escola mantém alunos especiais desde a sua inauguração, há 25 anos. Ela destaca que não se deve confundir inclusão com integração. A integração sempre aconteceu na escola, nos acampamentos, na hora do lanche, na educação física, nas festas. Esse não é o problema. O problema é a inclusão. O ritmo de cada aluno (especial) é diferente, ele tem necessidade de um atendimento diferenciado, explica.
Além de preparar a criança - física e emocionalmente -, para que ela entre numa turma em condições de acompanhar o desenvolvimento das disciplinas, a escola também procura deixar a relação dos alunos considerados normais com os especiais o mais natural possível. Aprendizagem é vínculo de afetividade. Esse relacionamento tem que acontecer para que ocorra a aprendizagem
Caso não haja esse cuidado na inserção da criança deficiente numa sala convencional, o resultado poderá ser traumático em muitos casos. A falta de afetividade na relação das crianças pode, por exemplo, desenvolver um bloqueio emocional, o que comprometeria o desenvolvimento em sala de aula. A educadora observa também que muitas dessas crianças necessitam de acompanhamento psicológico próximo, o que nem todas as escolas podem fornecer.
Apesar das observações, Silvia Crusiol considera irreversível o processo de inclusão das crianças portadoras de deficiência não só na escola como também na sociedade. Por isso, aponta, a disposição da nova LDB é importante. Mas é preciso haver um preparo. Não dá para dizer que no ano que vem estará todo mundo incluso. É preciso respeitar o processo.
Uma das alunas da escola que está incluída no novo sistema é Susane Hasuda, 9 anos de idade e aluna da 3ª série. Susane teve paralisia cerebral e hoje, além de não falar, tem muita dificuldade para coordenar os movimentos do corpo. Não houve, no entanto, comprometimento intelectual, e por isso, apesar das dificuldades físicas e de comunicação, ela tem acompanhado os colegas nas disciplinas.
Um dos meios utilizados para Susane nas aulas - e também fora delas - é a pasta de comunicação alternativa, um instrumento com diversos símbolos gráficos, além de fotos, que traduzem todo o vocabulário que ela precisa para se comunicar. Quando quer dizer alguma coisa, ela aponta os símbolos correspondentes com o dedo. Um computador especial também começou a ser utilizado pela garota.
O desenvolvimento de Susane, segundo Silvia Crusiol, é um exemplo de como pode ocorrer esse processo de integração com inclusão na sala de aula. Hoje ela tem ótimo relacionamento com os colegas, brinca e até começou a estudar música. Quando é feito um trabalho como esse, não há rejeição, diz. E a gente tem sentido que eles têm mesmo condições. Desde que sejam respeitados.


