Os 80 tótens (estrutura de concreto que abriga equipamento de comunicação direta com a polícia) instalados em Curitiba e que a Secretaria de Segurança do Estado pretende implantar em Londrina, despertam críticas e elogios. Para alguns, foram a solução contra a violência em determinadas regiões. Para outros, não têm utilidade. A Polícia Militar, no entanto, faz uma avalição positiva dos equipamentos. São, segundo o capitão Douglas Sabatini Dabul, do setor de planejamento do Comando do Policiamento da Capital (CPC), uma linha direta da polícia com a comunidade.
Ligado ao serviço de emergência 190, o sistema telefônico que funciona nos tótens permite que moradores comuniquem crimes rapidamente. Conforme Dabul, um monitoramento, feito com um aparelho, revelou que entre 10 e 15 pessoas usam o aparelho por dia.
Um taxista do bairro Juvevê, que não quer se identificar, acredita que o tótem não ofereça nenhuma contribuição prática no combate à criminalidade. ‘‘Isso aí não tem valor nenhum. Quem ganhou foi só o empreiteiro que mandou construir essa coisa. Não sei para que serve’’, critica. O taxista diz que dois tótens instalados ao longo da Avenida João Gualberto estão abandonados, sem policiais ou viaturas.
O mecânico Luiz César Cardoso de Lima, 28 anos, diz ter saudades dos meses que antecederam as eleições de 1998. ‘‘Antes da eleição funcionava melhor. Tinha viatura e hoje não tem’’, afirma. O tótem a que Luiz se refere está localizado na Avenida Paraná, bairro Boa Vista. Se ali não há viatura, pelo menos um policial está sempre presente, confirma o mecânico.
Mas a presença policial não chega a ser suficiente. Luiz conta que já presenciou a tentativa de furto de um veículo, identificou os dois ladrões e foi pedir ajuda aos policiais que estavam no tótem. Os policiais alegaram que teriam de pedir permissão para ‘‘liberar uma viatura’’ para o local e não quiseram ir atrás dos ladrões. Diante da má vontade, Luiz desistiu de esperar e os ladrões tiveram tempo de fugir.
Já o balconista Paulo Castiluzzi, 23 anos, que trabalha numa farmácia do bairro Juvevê, se diz entusiasmado com o projeto. ‘‘É uma beleza. Quando não há uma viatura por perto, tem sempre dois policiais’’, elogia.
Ontem, em Londrina, o secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse que não existe polêmica sobre o assunto e que os tótens estão cumprindo a sua função. Segundo ele, às vezes existe a impressão de que em determinado tótem não há viatura porque o policial está, justamente, atendendo a uma ocorrência.

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