Os três novos terminais metropolitanos que estão sendo construídos em Curitiba não devem sofrer com os constantes impasses de operacionalização entre a Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), ligada à prefeitura da Capital, e a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), órgão do governo estadual. Pelo menos é que informam essas instituições. A previsão do governo do Estado, que está tocando as obras, é de que até o final do ano os terminais estejam prontos.
Os três novos empreendimentos vão passar a atender 150 mil usuários por dia em três cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Com um investimento de R$ 12,9 milhões, as obras já começaram nos municípios de Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais e Campo Largo. A apreensão, no entanto, é que os três terminais acabem se transformando no exemplo do terminal de ônibus de Roça Grande, em Colombo, na RMC. A obra custou aos cofres públicos R$ 1,5 milhão, está pronta há mais de um ano, mas ainda não está operando. O motivo? Dinheiro.
A Urbs informa que cabe à Comec indicar quais serão as fontes de recurso -preço de passagem, convênios e repasses- para a operacionalização. Já a Comec rebate afirmando que entrou com recursos para construir o terminal e não tem de onde mais gerir recursos. Sem recursos não há como operar, responde a Urbs.
O círculo vicioso, no entanto, restringe-se ao Terminal de Roça Grande. De acordo com a Comec, o impasse não deve ocorrer no terminais em construção. A assessoria de comunicação do órgão informou que, nos três municípios, são apenas novos espaços físicos para os terminais e não novos terminais, como o de Roça Grande. Isso significa que a única mudança é de local. Não haverá alterações em linhas ou serviços. Desse modo, a Urbs continuará fazendo a operacionalização dos terminais de Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais e Campo Largo.
A Urbs informou, também por meio de sua assessoria de imprensa, que, por enquanto, vai fazer a operacionalização apenas do terminal de Fazenda Rio Grande. Segundo a Urbs, o novo terminal vai abrigar as linhas que vinham do antigo e, por isso, não haverá mudanças na rede integrada. Já em relação aos terminais de São José do Pinhais e de Campo Largo, a Urbs disse que não pode ser pronunciar sobre o assunto, já que a Comec não fez nenhum contato para discutir com será a operação. Sobre o assunto, a Comec disse que o contato será feito próximo da conclusão das obras, mas que isso não vai afetar a operacionalização dos terminais.
Na queda-de-braço entre as instituições, onze linhas deixam de passar diariamente pelo Terminal de Roça Grande; cerca de 15 mil pessoas ficam prejudicadas. O descontentamento da população é tão grande que, recentemente, moradores de Colombo fecharam por duas horas a Rodovia da Uva para protestar contra o abandono do terminal. Os moradores, que pedem que o o local comece a funcionar o mais rápido possível, impediram o acesso à Colombo pelo estrada principal.
A manifestação não foi suficiente para apressar as negociações entre Urbs e Comec. Os dois órgãos informaram que a situação de Roça Grande está em debate e ainda não há previsão de em quanto tempo os moradores poderão entrar em um ônibus usando o espaço.
Um quarto terminal metropolitano deve começar a ser construído em breve. Ainda sem previsão de datas, o edital de licitação para a construção de um terminal em Contenda, também na RMC, está sendo elaborado. O valor estimado da obra é de R$ 520 mil.
Os terminais metropolitanos fazem parte do Programa de Integração do Transporte da Região Metropolitana de Curitiba (PIT). O programa é desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedu) por meio da Comec, que coordena a construção do terminais e outras obras viárias. No total, estão previstos cerca de R$ 124,5 milhões em investimentos no PIT.

mockup