Ao que tudo indica, o tom amarelado das paredes do novo Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), na Zona Sul de Londrina, deve ficar ainda mais intenso porque até o momento o Departamento Penitenciário do Estado (Depen) não definiu uma data para que a nova unidade comece a receber os primeiros presos. Além da demora na conclusão das obras, ontem surgiu mais um impasse: não há consenso sobre se o presídio vai abrigar presos provisórios, condenados ou se será misto - abrigar tanto um quanto outro. Outra novidade negativa é que o número real de vagas é de 870 e não 960.
A divergência ficou clara na reunião de ontem à tarde, na Vara de Execuções Penais de Londrina (VEP), que envolveu o juiz-corregedor Roberto do Valle, o coordenador-geral do Depen, coronel Honório Olavo Bortolini, o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, o diretor da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Raimundo Hiroshi Kitanishi, e o futuro diretor do CDR, major Raul Leão Vidal. Bortolini saiu apressado, não quis falar com a imprensa e também proibiu que Vidal gravasse entrevista. Informalmente, o diretor indicado comentou que o prédio ainda precisa de reparos e confirmou que não há definição sobre que tipo de preso vai para para a unidade.
Para Barroso, a situação ideal seria remover os mais de 600 presos que estão nas delegacias para o CDR e desativar as carceragens masculinas do 4º e 5º distritos. As celas do 2º DP seriam usadas apenas para triagem. ''Minha sugestão seria usar o CDR só para presos provisórios'', opinou o delegado, completando que presos de comarcas próximas que estão em delegacias também poderiam ser transferidos. Em tom otimista, ele estimou que dentro de até 30 dias a unidade deve começar a receber os primeiros hóspedes.
Valle, por sua vez, afirmou que o CDR deveria abrigar apenas presos já condenados por causa das características das instalações. ''Seria melhor porque a estrutura do presídio permite o tratamento penal de fato. Seria um desperdício colocar preso provisório'', justificou-se. O juiz adiantou que não concorda com a utilização do CDR como presídio misto porque traria risco para a segurança. ''Vai começar a cruzar preso condenado com provisório. A lei proíbe essa mistura de presos mas sabemos que na prática vai ocorrer isso'', advertiu.
Outro fato novo revelado pelo juiz-corregedor é que a capacidade no CDR é menor do que a divulgada pelo governo. Em vez das 960 vagas prometidas, o novo presídio terá 870 vagas. Isso ocorre porque o terceiro andar dos três pavimentos conta com celas individuais, destinadas por exemplo àqueles que cometem faltas graves, que estão sob ameaça, que possuem diploma de curso superior ou que foram detidos por falta de pagamento de pensão alimentícia.

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