A volta às aulas na rede pública estadual e municipal de ensino ainda não está confirmada para amanhã. Apesar de estar no calendário da Secretaria de Estado da Educação, os prefeitos prometem um boicote ao início do ano letivo numa tentativa de pressionar o governo do Paraná a negociar uma fonte de recursos para subsidiar o transporte escolar dos alunos de 5ª a 8ª séries. Em decisão anteontem à noite, a Associação dos Municípios da Regiões Oeste (Amop) decidiu por unanimidade de votos postergar o calendário escolar para o dia 1º de março, aderindo à orientação da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). ‘‘São 51 prefeituras na região. Os prefeitos foram unânimes em decidir que não haverá aula nem nos colégios estaduais, nem nos municipais’’, garantiu o prefeito de Medianeira, Luiz Suzuke (PT), integrante da comissão de negociação com o governo do Estado e integrante da AMP.
As prefeituras das regiões Norte e Sudoeste também devem aderir ao movimento, estima a AMP. ‘‘Temos que estar unidos neste momento. Somente desta forma, o Estado poderá atender ao nosso pleito. Vamos fazer nossa pressão política’’, argumentou o prefeito. Apesar do posicionamento dos prefeitos, que ainda não têm um levantamento do índice de possível adesão em todo o Estado, a Secretaria de Educação espera que 90% das 2,1 mil escolas da rede estadual de ensino iniciem as atividades normais. Elas atendem cerca de 1,4 milhão de alunos em todo o Paraná.
Mesmo que haja a suspensão do início das atividades, a secretaria garante que não haverá prejuízo pedagógico para os alunos. É que foram feitas seis planilhas de calendário escolar, com quatro datas diferentes para início das atividades, segundo a secretaria. Elas poderiam ser iniciadas nos dias 12, 14, 19 de fevereiro ou 1º de março. As prefeituras de Antonina e Guaratuba, ambas no Litoral, já haviam avisado que começariam as aulas apenas em março.
Na rede municipal de ensino, o calendário escolar deverá seguir o padrão estadual. São cerca de 6 mil escolas municipais e cerca de um milhão de alunos. A causa do impasse, o transporte escolar, será tema de uma discussão marcada para ocorrer amanhã, às 10 horas, no gabinete da Chefia da Casa Civil.
Os prefeitos passaram o fim de semana preocupados não só com o reinício das aulas, mas também com o prazo final para a entrega da documentação referente à prestação de contas sobre os gastos com merenda escolar em 1999. Até sexta-feira, 138 prefeituras ainda não haviam encaminhado as documentações. Ontem, a reportagem da Folha tentou entrar em contato com as assessorias do Ministério da Educação (MEC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), mas ninguém atendeu às ligações para fazer um balanço mais atualizado.

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