Impasse mantém graneleiro de cooperativa interditado
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quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Edna Mendes<BR>De Londrina 
O Ministério do Trabalho e Emprego, em Curitiba, negou ontem que a Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol) esteja tentando um acordo para reabrir a unidade de armazenamento de grãos, em Cambé, que está interditada desde segunda-feira por causa da morte de dois operários. Ontem, o presidente da cooperativa, Eliseu de Paula, garantiu à Folha que a empresa estava negociando com o ministério a reabertura da unidade para então se adequar às exigências do órgão.
No dia 10, os operários Aparecido Rodrigues dos Santos, 40 anos, e Edivaldo Francisco Pereira, 35 anos, morreram ao cair em um silo com mais de 300 mil toneladas de soja. O Ministério do Trabalho e a Polícia Civil comprovaram que eles não usavam equipamentos de segurança obrigatórios.
O Ministério do Trabalho interditou a unidade porque, conforme informou, não encontrou no graneleiro os equipamentos básicos e obrigatórios para o tipo de serviço executado no local. A principal falha encontrada foi a falta de cintos de seguranças fixos na estrutura de concreto, onde os operários deveriam estar suspensos para trabalhar nos silos.
Ontem, Eliseu de Paula disse que a Corol ainda não decidiu se entra ou não, com recurso na Justiça porque dependia da avaliação da proposta de acordo feita ao ministério. ''Entendemos que a interdição foi arbitrária e pedimos para reabrir a unidade enquanto cumprimos todas as exigências feitas pelo ministério. Estamos tendo um prejuízo muito grande com o graneleiro parado''.
A assessoria de imprensa do ministério informou que a Corol não protocolou nenhuma proposta, que precisa ser assinada por um engenheiro do trabalho, na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e também não fez nenhum pedido informal.
A polícia abriu inquérito para apurar a responsabilidade pelas mortes, mas ainda não começou a ouvir as testemunhas e a direção da Corol. Eliseu de Paula disse ontem que os levantamentos preliminares da empresa constataram que o primeiro operário a cair se recusou a ir apanhar os equipamentos de segurança. O outro teria se jogado no silo para tentar salvar o colega.


