Depois de divergências quanto ao nome que teria depois de pronta, a avenida Ayrton Senna da Silva que está sendo construída na Zona Sul de Londrina corre agora o risco de ter seu traçado original modificado por causa da resistência de um único proprietário de uma chácara em chegar a um acordo com a Prefeitura. Quando a obra foi iniciada, há cerca de três meses, havia impasse com dois proprietários de áreas localizadas nas duas extremidades mas a Secretaria Municipal de Obras conseguiu aparar as arestas com um deles, dono de uma área próxima a avenida Madre Leônia Milito. Restou apenas o trecho nas proximidades do Lago Igapó 2.
A avenida foi projetada com pista dupla em toda a sua extensão. A obra deve consumir investimento de R$ 2 milhões e a previsão é que esteja concluída até outubro. Para realizar o projeto, o Município bancou 50% dos custos e manteve negociações com oito proprietários. Seis deles aceitaram doar parte das terras e arcar com a outra metade dos gastos. Dentre os resistentes, um acabou concordando com os termos propostos pela Prefeitura. O impasse continua com o proprietário de uma chácara localizada na rua Bento Munhoz da Rocha Neto, localizada em frente ao Lago Igapó 2. A área pertence a uma família de descendentes de japoneses que residem no local há pelo menos três décadas.
O secretário Municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, garantiu que irá esgotar todas as possibilidades de negociação com o proprietário da área. Caso não haja um acordo, tese que a Prefeitura não cogita, a última opção seria a desapropriação. ''Isso só irá acontecer em último caso'', garantiu o secretário, que descartou qualquer possibilidade de alteração do projeto original. Freitas comentou que entende o fato da abertura da via ser encarada como agressão pela família proprietária da chácara.
Enquanto persiste o impasse, a construção continua em ritmo normal: um trecho razoável já está em processo de pavimentação e as galerias para escoamento do esgoto e da água da chuva continuam sendo feitas. Proprietários de terras na região estão apostando que a obra vai valorizar ainda mais os imóveis. Morando há 30 anos no local, o pecuarista Geehrter Sathler Rosa disse que os gastos que está tendo compensam os benefícios que espera alcançar. ''Não só vale a pena como temos obrigação de ajudar a cidade que um dia nos ajudou'', observou. E os benefícios atingem até mesmo quem não é dono de nada na região, como Heleno Aparecido Manoel, que trocou as bombas de combustíveis pela pá e cimento. ''Sou frentista mas estava desempregado e consegui um bico numa empreiteira que está fazendo a galeria pluvial'', apontou.
A avenida ficou famosa antes mesmo do início de sua construção. Tudo por causa do nome. Enquanto era apenas uma ruazinha de terra, a via era conhecida como Ayrton Senna da Silva e tinha sido nomeada pelos próprios moradores. Quando foi aprovado o projeto para abertura da avenida, os vereadores Beto Scaff e Roberto Kanashiro propuseram a mudança do nome para Nassib Jabour. Os moradores protestaram, o projeto foi rejeitado em votação na Câmara e o nome original foi mantido.

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