Impasse impede extradição de vietnamitas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
Os 13 vietnamitas que vivem irregularmente em Cascavel ainda não foram deportados para o Vietnã por conta de um impasse entre a Polícia Federal, responsável pela operação, e as empresas aéreas que os levariam. As companhias não aceitam que apenas dois policiais façam a escolta dos vietnamitas. A exigência é de que ao menos quatro policiais federais participem da operação.
O delegado da Polícia Federal, em Foz do Iguaçu, Clayton Xavier, explica que os recursos para extraditar os vietnamitas já foram enviados pelo Itamaraty, mas que se o impasse com as companhias não for resolvido não há como mandá-los de volta ao país de origem. Ele completa que a passagem área para o Vietnã custa US$ 1,4 mil (só ida), o que dificulta o envio de mais policiais.
Enquanto aguardam a extradição, os vietnamitas passam por sérios problemas causados pela falta de dinheiro. Como estão impedidos de trabalhar, eles dependem da ajuda de amigos ou de entidades beneficentes para comprar comida. Nos últimos dias, quatro tiveram problemas de saúde porque não estavam se alimentando. Esta semana, o Sindicato dos Servidores Públicos de Cascavel enviou algumas cestas básicas que deverão aliviar a situação por alguns dias.
As despesas de água, luz e aluguel estão sendo pagas pelo empresário André Vu, o mesmo que eles acusam de ser o responsável por essa situação constrangedora que estão passando. Os vietnamitas garantem que trabalharam durante sete meses na fábrica de macarrão do empresário, sem terem recebido qualquer salário por isso. Anteontem, o empresário esteve na casa onde vivem os vietnamitas para levar R$ 200,00, dinheiro que ele chamou de ''doação''.
Os vietnamitas chegaram ao Brasil há 1 ano e 9 meses, segundo eles, para montar as máquinas e trabalhar na fábrica de macarrão. Como não recebiam salários e passavam necessidades, decidiram denunciar o empresário à Polícia Federal. Mas como estavam irregulares por terem entrado com visto de turista, válido por três meses, foram obrigados a deixar o País. Por não terem respeitado o prazo estabelecido pela PF, serão deportados e não poderão mais retornar ao Brasil.


