Impasse em área de invasão na Ferrovila
Israel Reinstein
De Curitiba
A Guarda Municipal e invasores de um terreno da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT), que fica na região da Ferrovila, entraram em choque ontem, durante a quarta desocupação do lote, invadido sexta-feira passada. De acordo com os invasores, os guardas municipais agrediram todas as famílias, batendo também nos vizinhos que moram ao lado da área. Já o diretor presidente da Cohab, Sérgio Abujamra Misael, afirma que os funcionários da prefeitura é que foram feridos pelos desocupados da indústria da invasão. A prefeitura pretende cercar hoje o local, para evitar novas invasões.
Antônio Marques dos Santos, um dos invasores, conta que os guardas apareceram com um grupo de capangas. Os funcionários da prefeitura desmontaram os barracos e levaram também colchões, comidas e roupas, colocando tudo em um caminhão. Teve muita agressão. Eles bateram em mulheres, crianças e espancaram um homem que não tinha nada a ver com a invasão, disse.
Juarez Pereira teve seu nariz trincado, provocado, segundo versão dos invasores, pelo cacetete dos guardas. Sou dono de um bar da região e trazia um café para meu cunhado, que está na invasão, contou. Pereira afirmou que, depois de agredido, foi jogado ao chão e chutado. Tive que intervir para salvar a vida dele, por isso apanhei, disse Luciana Mendes.
No entanto, o diretor da Cohab, Sérgio Misael, afirmou que Juarez se machucou quando caiu sozinho no chão. Ele estava embriagado e depois responsabilizou a Guarda pelo machucado, disse. Misael conta que os invasores atiraram pedras contra os guardas, ferindo um deles na perna.
Para Misael, estas pessoas estariam tumultuando o processo de urbanização da região. O local invadido está reservado para instalação de uma área de lazer e também destinado para relocação de antigos moradores da Ferrovila. Por isso, a prefeitura agiu dentro da lei retirando essas pessoas, afirmou. E nas desocupações é preciso ser duro, se não as pessoas não saem, disse.
Para Luciana Mendes, moradora vizinha do lote invadido, os funcionários da Cohab foram duros demais. Bateram em mim e no meu filho, que estava parado na porta, contou. Luiz Fernando Andrade acrescentou que foi empurrado e ameaçado de morte pela desocupação. Eles trazem bandidos para cá, que fazem o que querem com apoio dos guardas municipais, disse.
Andrade reclamou que, durante esses dias de invasão, os capangas e a Guarda Municipal se valeram do anonimato para bater nos outros impunemente. Quem são esses bandidos?, perguntou. O diretor da Cohab, Sérgio Misael, afirmou que esses funcionários seriam terceirizados da prefeitura. Eles, prosseguiu, são encarregados da limpeza e manunteção dos terrenos da Cohab. E por conhecerem bem a periferia ajudam na desocupação, afirmou. Misael não soube dizer se essas pessoas agem dentro da lei.Área já foi desocupada quatro vezes desde sexta-feira e ontem houve novo confronto entre sem-teto e guarda municipal
Kraw PenasPOLÊMICAJuarez Pereira disse que teve seu nariz quebrado por guardas quando levava café para o cunhado na invasão. Cohab diz que ele caiu de bêbado





