Warren NabucoPonte do ribeirão EsperançaCerca de 100 famílias do jardim Colúmbia B têm que enfrentar quilômetros até o ponto de ônibus. E para chegar lá é preciso atravessar uma pinguela Os moradores do jardim Colúmbia B (zona oeste) sofrem com a falta de infra-estrutura no bairro. As ruas do bairro ainda não foram pavimentadas e as calçadas também estão por fazer. A rede de água e luz está pronta, apesar da precariedade da iluminação pública. Segundo acordo entre a loteadora NJ Empreendimentos e a Prefeitura, na época da liberação, tudo deveria estar pronto até 23 de agosto deste ano, três anos depois da liberação para a construção. Mas até agora nada começou a ser feito. Cerca de 100 famílias moram no local e convivem com os reflexos da falta de infra-estrutura - entre eles, o principal é a dificuldade de transporte.
O impasse está no pagamento do asfalto. Os moradores acreditam que a pavimentação asfáltica estivesse embutida nas parcelas do terreno. Assim, a maioria dos moradores já teria quitado toda a dívida. ‘‘Pagamos tudo para a loteadora e agora a Prefeitura quer cobrar de novo para fazer o asfalto’’, reclama o presidente da Associação de Moradores do Colúmbia, Josmar da Silva. ‘‘Fizemos tudo o que foi exigido, na época, pela Prefeitura para liberar a construção - meio-fio, água e luz. Mas o asfalto não estava incluído no preço dos lotes’’, diz o gerente da NJ Empreendimentos, Joaquim Pelissari. ‘‘Entregamos com moledo.’’
O contrato do Colúmbia B prevê na cláusula XI que o adquirente será o responsável pela pavimentação. Hoje a situação é diferente: a Prefeitura exige a conclusão de toda a infra-estrutura para depois liberar o loteamento. De acordo com um dos engenheiros do departamento de loteamentos da Secretaria Municipal de Obras, as exigências para liberação variam conforme a época. Segundo ele, no caso do Colúmbia B foi usado o paliativo do moledo porque os preços do asfalto estavam muito altos e acabavam inviabilizando os loteamentos. ‘‘As loteadoras não parcelariam mais os imóveis e isso inviabilizaria a própria Cidade’’, disse.
O loteamento existe desde 77, quando foi aberto o Colúmbia A. A comercialização do Colúmbia B só começou em 92. A construção só foi liberada pela Prefeitura em 94, quando a loteadora apresentou as benfeitorias mínimas exigidas. O Colúmbia C e o D ainda não foram liberados, apesar de o C, segundo a NJ já ter sido todo vendido. Os moradores, de acordo com informações do departamento de loteamentos, podem optar por uma empresa particular para fazer o asfalto desde que seja dada entrada na Autarquia dos Serviços de Pavimentação de Londrina (Pavilon).
Enquanto isso, os moradores enfrentam quilômetros para pegar o ônibus. O ponto mais próximo fica a 5 quilômetros, no jardim Universidade. Mas para chegar lá os moradores precisam atravessar uma pinguela sobre o ribeirão Esperança. Em dias de chuva, o trajeto é impossível já que o nível da água - quase rente à pinguela - ultrapassa a passagem.
O outro ponto de ônibus, na PR-445, fica a 8 quilômetros do Columbia B. Além da distância e do barro ou da poeira, os moradores têm mais uma preocupação - a insegurança. Durante a noite, a maior parte da caminhada é feita na escuridão. O bairro só tem iluminação pública perto das casas - muitos pontos ficam sem luz. ‘‘Isso é um breu’’, diz a zeladora Nadir Barbosa Mauro, que sai de casa todo dia às 5h30 para ir ao trabalho.
O filho de Nadir, com 18 anos, enfrenta a mesma situação para estudar à noite. ‘‘Ele trabalha de dia e tem que encarar a escuridão se quiser continuar estudando. E no ano que vem tem mais um que vai estudar à noite’’, lamenta. A autônoma Clarice Aparecida Antero Clemente afirma já ter passado ‘‘apuros’’ quando voltava para a casa. ‘‘Corri o risco de ser agarrada na pinguela. A sorte é que comecei a gritar e tinha alguém passando.’’
Como o próprio acordo entre Prefeitura e Copel prevê, a rede de distribuição de energia elétrica está sendo efetuada em etapas conforme a ocupação do Colúmbia. Isso, de acordo com o departamento de loteamentos, é para evitar o roubo de postes e fiação da Copel. A plantação das mudas de árvores - que segundo a NJ Empreendimentos, já foram entregues a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) - também só deve ocorrer conforme as casas forem sendo construídas para evitar a destruição.

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