Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Secretaria de Saúde de Cascavel está tentando convencer médicos que já atuam no serviço público a se integrar ao Programa Saúde da Família (PSF), cuja implantação nos municípios está sendo orientada pelo governo federal. O PSF garante às comunidades carentes atendimento domiciliar, por equipes multidisciplinares, cada qual assumindo mil famílias de forma permanente, com ênfase para a prevenção de doenças. Os médicos terão que dedicar 6 horas de trabalho ao programa, mas muitos consideram a remuneração insuficiente, porque terão que reduzir o atendimento em seus consultórios e clínicas.
O PSF, em fase de estruturação em Cascavel, deve atender aproximadamente 160 mil pessoas. O secretário Lísias Tomé vem mantendo encontros com os médicos para convencê-los a aderir, com intermediação da Associação Médica de Cascavel (AMC), cujo presidente, Luiz de Castro Bastos, assegura que a entidade não é contra o PSF. Bastos frisa, porém, que os médicos se preocupam com a responsabilidade que terão que assumir sobre as equipes (serão 49) formadas ainda por enfermeira, assistente social e cinco agentes comunitários de saúde.
Sabe-se que muitos consideram insuficiente a remuneração oferecida, de R$ 2,8 mil. Lísias Tomé já chegou a dizer que, se não houver disponibilidade local de médicos (130 atuam no serviço municipal), irá ‘‘procurá-los em qualquer outra parte do País’’. O secretário frisa que a implantação do PSF é inadiável, porque o Ministério da Saúde privilegia em termos de recursos os municípios que têm o programa. Para cada equipe formada, a verba federal é de R$ 4,5 mil, com expectativa de redução de internações hospitalares e gastos com remédios.
Outra polêmica entre o Município e os médicos, relacionada com a jornada de trabalho nos postos de saúde, pode ser resolvida com a redução do horário. Os contratos são para 4 horas diárias com prestação de 16 consultas e salário de R$ 1,15 mil. A remuneração é considerada inadequada para o encargo, segundo os médicos. A prefeitura fez nova proposta que está sendo analisada pela classe: jornada de três horas por dia controlada por cartão-ponto.
Ontem, agentes comunitárias de Saúde, que já atuam em comunidades carentes, com visitas domiciliares, estiveram com Marli Júlia da Silva, 39 anos, que mora com o marido (desempregado) e oito filhos no porão da Igreja Pentecostal Filhos da Promessa, no bairro Morumbi (zona norte). Marli teve 16 filhos (dos quais oito morreram). O último ela diz que deu para um casal de Foz do Iguaçu.Falta de acordo sobre jornada de trabalho e remuneração estão impedindo a implantação do Programa de Saúde Familiar
Edson MazzettoEM CASAAgentes comunitárias de saúde visitam a família de Marli da Silva, no bairro Morumbi: equipes ainda não contam com médicos para as visitas domiciliares

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