IMPASSE - Faltam bolsas de colostomia no HC
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terça-feira, 27 de junho de 2006
Adriana ItoReportagem Local 
Os 340 ostomizados que dependem das bolsas de colostomia fornecidas pelo Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estão tendo que conseguir o produto por conta própria, através de compras, doações e até improvisos, como substituir o acessório por sacolas plásticas. O hospital não fornece as bolsas desde abril.
''Nós informamos a prefeitura por escrito em dezembro do ano passado. Em fevereiro, eles abriram licitação, mas ela foi impugnada por uma empresa que não pôde participar'', explica a enfermeira Isabel Regina Inocente, uma das responsáveis pelo setor no HC.
As bolsas de colostomia da referida empresa haviam sido reprovadas por uma avaliação feita pelo corpo de enfermagem do setor. Em 2004, quando a Secretaria Municipal de Saúde assumiu a aquisição do material, essa mesma marca venceu a licitação. Na época, os ostomizados reclamaram que as bolsas apresentavam problemas como descolamento, rompimento, dermatites, alergias e que exalavam odores fortes, além de ter uma durabilidade menor.
A compra emergencial dessa mesma marca foi proposta ao HC e à Associação Paranaense de Ostomizados - Núcleo de Londrina em reunião com a Secretaria de Saúde recentemente. A idéia seria entregar aos pacientes esse material, que é mais barato em relação às outras marcas que participaram da licitação, durante três meses. Em reunião realizada na manhã de ontem, porém, os cerca de 30 ostomizados e parentes presentes decidiram por recusar a proposta. ''Por que não fazer a compra total, do produto certo? E por que não apresentaram essa proposta antes?'', questionou Robson Oliveira Lima, presidente da Associação.
''Não queremos abrir um precedente para que depois venham nos questionar como a marca pode servir em emergências e não servir para o dia-a-dia. O produto comprovadamente apresenta problemas, e não é adequado em momento algum'', assinalou Akio Miyamoto, vice-presidente da entidade. Outro usuário complementou que, em vez de usar a bolsa de colostomia dessa empresa, preferia ''usar um saquinho ou outra coisa''.
Miyamoto propôs a assinatura de um abaixo-assinado em recusa à idéia, que teve a total adesão dos presentes. Os ostomizados programaram também dirigir-se à Secretaria de Saúde esta manhã para tentar falar com algum responsável, já que o novo secretário de Saúde ainda não foi definido. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o ex-secretário Silvio Fernandes nem com a ex-coordenadora Margareth Shimiti.
Até 2004, as bolsas eram de responsabilidade do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), e, segundo Lima, o fornecimento não apresentava problemas. Desde que o município assumiu, porém, a falta de bolsas teria se tornado um problema recorrente para os ostomizados.


