Impacto na água matou pára-quedistas
Curitiba
Fotos: Albari Rosa
AdeusO corpo de João Olavo de Castro Filho, um dos três pára-quedistas mortos, foi enterrado ontem no Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. Eles fizeram o procedimento certo na hora errada, diz o instrutor da escola de pára-quedismo Prisma, Gilberto Carlos Sochascki, 31 anos, que saltou junto com o grupo
O Corpo de Bombeiros de Guaratuba encontrou ontem pela manhã o corpo da pára-quedista Cristiane do Pilar Oliveira Milício, de 31 anos de idade, que estava desaparecida desde segunda-feira à tarde. Ela participou do salto de um grupo de seis pára-quedistas que terminou com a morte de mais duas pessoas - João Olavo de Castro Filho, 22, e Elza Maria da Silva, 30.
Cristiane Milício foi encontrada na superfície do mar, a cerca de 400 metros da linha de arrebentação, na praia do Brejatuba (onde fica o morro do Cristo).
Uma rajada de vento muito forte durante o salto arrastou os pára-quedistas em direção ao oceano. Segundo depoimento de testemunhas, os três mortos desconectaram os pára-quedas dos próprios corpos antes de atingir a água e provavelmente morreram com a queda. O plano inicial do grupo era aterrisar em uma ponta de areia junto ao Morro do Cristo.
Eles fizeram o procedimento certo na hora errada, diz o instrutor da escola de pára-quedismo Prisma, Gilberto Carlos Sochascki, 31 anos, que saltou junto com o grupo. Ele participou ontem do velório de João Olavo de Castro Filho, no cemitério Parque Iguaçu.
Segundo o instrutor, os três pára-quedistas devem ter caído a uma altura de 20 a 30 metros, suficiente para provocar a morte. Ele observa que o momento correto de desconectar o pára-quedas, em casos como esse, é quando os pés tocam a água. O certo é liberar o equipamento para poder nadar, mas ninguém é experiente em pular na água. Nesse salto, as teorias de procedimentos de segurança foram colocadas em prática, avalia.
Sochascki disse que no momento do salto não tinha vento, estava calmo. Depois que saltamos, fomos arrastados pelo vento durante a queda livre, conta. A pára-quedistas Juliana Milléo, que estava assistindo ao salto do grupo na areia da praia, viu a queda de João Olavo de Castro Filho. Ele desconectou alto, relata.
O instrutor disse que todos os pára-quedistas do grupo já haviam saltado diversas vezes. No final de semana anterior ao acidente, o mesmo grupo havia saltado no mesmo local.
O instrutor levava uma câmara de vídeo no capacete e filmou o salto. A fita foi requisitada pela Delegacia de Polícia de Guaratuba. Na segunda-feira à noite, foram ouvidos o piloto do avião, Erlon de Mattos; o diretor da escola Prisma, Adilson Túlio; o instrutor e os outros sobreviventes: Rogério Alves, 23, e Thiago Peretti, 20 anos.
O Instituto Médico Legal (IML) de Paranaguá, que fez a necrópsia dos corpos só deve divulgar o laudo em duas semanas.





