Impacto foi maior do que o de 250 mil bombas
Acostumado a esmiuçar imagens da superfície do planeta atrás de vestígios espaciais de um passado remoto, o pesquisador da Unicamp Álvaro Crosta afirma que a cratera de Vista Alegre tem uma textura completamente diferente à do restante da região. De cima, continua, é facilmente identificável, embora ele tenha certificado a descoberta através da análise das deformações provocadas nas rochas. Pelos elementos colhidos até o momento, a ciência especula que o corpo celeste (não se sabe se foi um asteróide, meteoro ou outro tipo de objeto) que atingiu Vista Alegre provocou um estrago maior do que 250 mil bombas atômicas sendo detonadas
juntas.
Conforme Crosta, a força do impacto abriu uma cratera de quase 10 quilômetros de diâmetro e gerou ondas de destruição que podem ter alcançado centenas de quilômetros. Primeiro, a onda de deslocamento do ar varreu tudo que encontrou pela frente. Em seguida, a onda de calor suficiente para derreter as rochas mais resistentes incinerou tudo que havia restado. Por último, a chuva de detritos gerada com o impacto bombardeou algumas dezenas de quilômetros ao redor. Num impacto maior, ainda teria o problema da poeira em suspensão que vai para a atmosfera e pode bloquer a passagem dos raios solares, criar um efeito estufa muito rápido e mudar todo o ambiente. Foi o que aconteceu na Cratera do Golfo do México (200 quilômetros de diâmetro), onde um asteróide de 10 quilômetros jogou imensa quantidade de vapor de água, destruiu a cadeia alimentar e contribuiu para a extinção dos dinossauros, compara o pesquisador.
Crosta afirma que a data em que aconteceu o impacto no sudoeste paranaense ainda não foi definida. Conforme a rocha mais jovem afetada, que é de 130 milhões de anos, é possível afirmar que o impacto teria então, no máximo, esta idade. É como se esta rocha fosse criada naquele momento, fundida pelo calor. A partir daí começa a contar o relógio, explica.
O estudioso aponta que é importante que locais de impacto sejam preservados e pesquisados por várias razões. Uma delas é a questão econômica, porque estes pontos podem armazenar minérios, petróleo e gás. Fora isso, tem a questão da evolução da superfície da Terra e as modificações que ocorreram no ambiente ao longo do tempo. Por último, há a questão da evolução da vida. Periodicamente já se sabe isso pelo estudo dos fósseis pode haver extinções em massa de espécies e há uma relação disso com os fenômenos de impacto. Tudo isso interessa à pesquisa.
O professor assegura que dificilmente nossa geração irá testemunhar a ocorrência de catástrofe semelhante. Do ponto de vista do tempo geológico isso pode ser considerado frequente. Já do ponto de vista do tempo humano, isso é muito raro, garante. E exemplifica: A cratera mais jovem que conhece tem 50 mil anos, um quilômetro e meio de diâmetro e fica no Deserto do Arizona, nos Estados Unidos.
No Brasil, até agora só foram identificadas cinco crateras de impacto e a última foi justamente a de Vista Alegre, que pode ser gêmea da existente em Varzeão, Santa Catarina. Em tamanho, elas variam de oito a 40 quilômetros de diâmetro. No mundo, há pouco mais de 170 já identificadas. (L.A.)





