Da Sucursal

Kraw PenasEsperaO ritmo das obras caiu nos últimos anos e fez surgir um cenário preocupante para muitos novos proprietários: construções quase paralisadasA ausência de uma política oficial de financiamento está transformando o sonho da casa própria em pesadelo. Desde a falência do Sistema Financeiro Habitacional no início da década de 80, o nível de atividade na construção civil vem caindo progressivamente. O resultado dessa crise tem sido construtoras falindo, obras paralisadas ou em ritmo lento, e muito transtorno para quem comprou imóvel e depois de pagá-lo teve a ingrata surpresa de não conseguir recebê-lo.
Os recursos oficiais do sistema financeiro, tradicional fonte de financiamento do setor, representam somente 10% dos investimentos aplicados pelas construtoras. Sem o dinheiro dos bancos e do governo, as empresas tiveram que bancar o financiamento de seus empreendimentos. Só que o auto-financiamento acabou se revelando uma faca de dois gumes.
Surpreendidos pelos altos índices de inadimplência depois do Plano Real e pelos altos juros, muitas construtoras tiveram que renegociar contratos, aumentando prazos de entrega e pagamento, para conseguir terminar ou começar obras nem iniciadas.
‘‘A grande maioria das obras teve seus prazos dilatados’’, confirma Erlon Rota, vice-presidente do Sindicado da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon). Edifícios de pequeno porte que levavam em média 18 meses para serem entregues, hoje não terminam antes de dois anos. Prédios com 12 a 18 andares, que ficavam prontos em 30 meses, hoje levam mais de três anos para serem entregues.
‘‘O problema maior não são as obras paralisadas mas as que se arrastam por anos’’, diz Rota. A demora na entrega também eleva o custo da obra em cerca de 25%, segundo ele, o que acaba se refletindo no preço final dos novos lançamentos. Para Rota, o auto-financiamento é uma solução paliativa, que não resolve o problema habitacional e piora a condição financeira das empresas.
A crise vem afetando inclusive empresas tradicionais como a Encol, que nos últimos anos bancou planos ousados de auto-financiamento em todo o País, e teve que frear o ritmo de seus empreendimentos. Hoje, a Encol tem 27 obras em andamento em Curitiba, e com o crescimento de 20% a 30% da inadimplência, teve que reprogramar os prazos de entrega das 650 unidades em construção. ‘‘Em média, tivemos que postergar a entrega por seis meses’’, confirma o gerente comercial da Encol, Sergio Hoefel.
A produção imobiliária em Curitiba, que historicamente girava em torno de 900 mil a um milhão de metros quadrados ao ano, caiu cerca de 20% em 96, passando para 800 mil no ano passado. A queda no número de alvarás liberados pela prefeitura também indica a crise no setor. Entre janeiro e setembro de 96, a área autorizada para obras foi de 1,2 milhão metros quadrados, contra 1,329 milhão no mesmo período de 95, uma queda de quase 10%.
O número de lançamentos de novas unidades caiu pela metade em Curitiba, no ano passado. Entre janeiro e outubro de 96, foram lançadas 2.056 unidades residenciais e comerciais, contra 4.710 no mesmo período de 95.

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