Imóvel no Centro de Londrina vira mocó
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quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O endereço - esquina da rua Espírito Santo com avenida Higienópolis, Centro de Londrina - é nobre mas os moradores e lojistas das proximidades estão revoltados com o abandono do imóvel. Até pouco mais de um ano atrás, o prédio era usado como escritório local da Vasp mas depois que foi fechado passou a ser ocupado por usuários de droga, sem-teto e catadores de lixo reciclável.
O imobiliarista Raul Fulgêncio, que tem seu escritório em frente ao imóvel, disse que o local é visitado por todo tipo de marginal. Sua imobiliária administra a propriedade mas, segundo Fulgêncio, por causa dos problemas financeiros da empresa aérea a locação ficou prejudicada. Ele comentou que o mau cheiro é tamanho que as próprias funcionárias de sua empresa fazem a limpeza dos arredores do prédio. ''Ali dentro fica um cheiro insuportável'', afirmou.
O porteiro de um prédio próximo ao imóvel, que preferiu não se identificar, apontou que os condôminos chegam a pedir para ele intervir e tentar expulsar o grupo de pelo menos cinco pessoas que invade o prédio toda semana. ''Mas eu não faço isso porque esse pessoal não tem nada a perder'', argumentou. Ele informou que há cerca de 15 dias a Polícia Militar prendeu um rapaz traficando crack nas redondezas. ''A viatura passa, dá batida neles todos mas não pode levar ninguém embora. Daí, depois de alguns minutos, todos eles voltam para o mesmo lugar'', comentou o porteiro.
Vendedores de uma loja próxima também reclamaram do forte cheiro de urina e fezes que fica ao redor do prédio e acaba prejudicando o comércio nas proximidades. ''Eles dormem na calçada ao lado e quando saem deixam tudo sujo'', afirmou um vendedor. ''Ficam com o tiner deles na boca e mexendo com todo mundo que passa na rua'', completou uma colega dele.
Embora estejam em um endereço nobre do Centro da cidade, os imóveis desocupados na região comumente são usados como 'mocós'. A poucos metros do antigo prédio da Vasp, por exemplo, outros dois imóveis são constantemente invadidos por moradores de rua e usuários de drogas. Nem mesmo as grades de ferro instaladas nos acessos são capazes de conter os invasores.
O relações públicas do 5º Batalhão da PM, tenente Ricardo Eguédis, reforçou que as viaturas realizam abordagens na região mas só pode deter os suspeitos que efetivamente são flagrados cometendo crimes. ''Trata-se de um problema social'', lamentou o tenente, lembrando que os frequentadores de mocós são os mesmos moradores de rua que são vistos perambulando por toda a Área Central.


